Fórum Social Mundial & AIJ 2009: balanço atrasado

Por problemas técnicos não pude publicar minha avaliação do evento, mas nunca é tarde para avaliar esse tipo de acontecimento.

Achei importante realizar o FSM na Amazônia, não só pela simbologia que essa região apresenta, mas também pela importância da mesma para a comunidade global, portanto, trazer o Fórum para o palco amazônico tornou o evento como o centro das discussões, o que sucitou temas desde a preservação da floresta em si, até o resgate dos saberes das populações tradicionais (índios, quilombolas, ribeirinhos, entre outros).

Como todo evento de grande proporção, sempre há pontos positivos e negativos. Um dos pontos negativos dizia respeito a própria organização, que não conseguiu ser auto-gestionada (pela incapacidade de certas pessoas e ONGs de colocar “a coisa” em ação).  Um outro ponto negativo diz respeito  aos voluntários, que foram péssimamente treinados, não receberam nenhum auxílio durante o evento como alimentação e transporte e quase sempre estavam desinformados,  tudo por conta de um curso de formação ruim e de um material péssimo que desorientava qualquer um.

A programação do FSM era extensa e os locais nem sempre eram próximos (principalmente na UFRA), o que desencorajou muitos a participar dos debates, o que gerou salas vazias e algumas atividades canceladas, mas de modo geral, a programação fluiu bem e quem participou gostou e saiu com vontade de saber mais.

Em relação ao Acampamento da Juventude posso dizer que nada mais era que um Woodstock esquerdista, sendo que boa parte dos acampados não estavam preocupados em construir um mundo melhor, a não ser que fosse só para eles. Por lá vi muito lixo, falta de higiene nos banheiros, pessoas consumindo drogas em público, alguns vândalos que depedravam a própria universidade e pouca discussão. Na Aldeia da Paz vi muitos hippies, muita lama, algumas discussões pertinentes, mas poucas pessoas conseguiam ir lá, por conta da distância e da lama.

Em termos de informações, esse Fórum foi ótimo, pois lá era possível conhecer trabalhos, ações e movimentações do mundo todo, assim como as publicações das ONGs e entidades envolvidas no 3° setor. Quem estava disposto a conhecer e se informar saiu realizado do FSM.

A Fórum Social criou o “efeito fórum”, ou seja, com a presença da polícia e dos orgãos públicos, a periferia (Terra Firme e Guamá) sofreu melhorias, por exemplo: a distribuição de água na Terra Firme era problemática, já que em determinados horários a água faltava, mas como não poderia faltar água durante o Fórum, a própria companhia de saneamento tratou de resolver o problema, hoje não falta mais água no bairro.

A própria violência que antes era rotina nesses dois bairros, hoje anda escassa, inclusive alguns jornais (sanguinários) estão sem pauta para o caderno de polícia, o que é positivo. Agora sim percebo o quanto o Fórum mudou a cidade para melhor (sem ajuda do ineficaz prefeito de Belém, que tomou uma sonora vai no Hangar e agora anda ausente…por mais 4 anos).

Um outro mundo não é possível, na verdade ele já existe, as pessoas que devem se conscientizar e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos povos excluídos e das minorias injustiçadas.

393 Anos de Belém: sem motivos para comemorar

Belém completará dia 12 próximo, 393 anos de existância, mas será que temos o que comemorar? A resposta é a seguinte: não, absolutamente nada. Belém está esquecida, principalmente pela classe política (candidatos, parlamentares, autoridades, etc). Belém vive um abandono visceral, entregue à própria sorte.

Motivos para lastimar são muitos, como: a violência, que hoje já não é privilégio dos mais pobres, atinge também médicos, promotores, empresários, etc.  Proporcionalmente, Belém é uma das capitais mais violentas do país e o pior, em muitos dos crimes cometidos há participação de menores. Menores desamparados pela família e pelo Estado, seduzidos pela criminalidade, viram armas nas mãos de bandidos.

Belém tem poucos espaços para praticas de Esportes, se antes existia um half para prática de skate na Duque, hoje nem bancos o “belo” corredor possui. A juventude não é prioridade para a prefeitura de Belém, nem a saúde, nem a educação, nem saneamento. O atual prefeito é um dos piores, senão o pior de todos.

As nossas praças estão inseguras e abandonadas, o que aconteceu com a Funverde? Que cuidava das praças e logradouros de Belém? Um exemplo é a praça Waldemar Henrique, cheia de lixo, iluminação precária, moradores de rua, ratos, etc. Nem os ambulantes querem ficar mais ali, e olhe que fica perto de um dos mais belos cartões postais da cidade, a Estação das Docas.

O nosso sistema de transporte urbano é um caos: ônibus lotados, sujos, assaltos constantes, transporte alternativo precário, além da tarifa récem ajustada, em breve a população terá que andar de bicicletas para poder se deslocar, já que o transporte público está falido.

Poderia listar outros problemas de nossa cidade, mas com o que foi exposto acima é possível ter noção do quanto Belém está entregue às moscas e sem perspectiva de mudança, pelo menos nos próximos 4 anos de administração municipal.

PS.: O Fórum Social Mundial está na porta, em breve iremos saber se Belém pode sediar eventos desse porte. Se depender do Governo Estadual e da Prefeitura, o evento será  um fracasso, os motivos nem cabe aqui enumerar.