A Matança na Floresta

Na Amazônia, a prática da pistolagem é profissão reconhecida, assim como nos velhos filmes de western americanos. Na região onde José Cláudio e sua esposa foram assassinados, os pistoleiros agem livres, sem serem incomodados pela polícia, que faz vista grossa e não consegue garantir a integridade física de quem vive na e da floresta.

Dizem que o Pará é um Estado sem lei, algo que discordo veementemente, pois o Pará é na realidade um Estado de uma única lei: a lei do silêncio. É a lei que silencia quem decide denunciar a derrubada da floresta, a mesma lei que protege os mandantes e que cala a boca do “estado democrático de direito”, letra morta na terra de uma lei só.

As balas que mataram José Claudio, Dorothy Stang, os 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, Chico Mendes e tantos outros que optaram lutar pela terra e que já morreram (ou devem morrer em breve), tinham endereço certo e não saíram de graça. A bala que mata na Amazônia tem um preço, preço bancado pelos “consórcios da morte”, compostos por madeireiros ilegais, fazendeiros, grileiros e bandidos que se unem para calar as vozes de protesto que emanam da floresta.

Infelizmente, o Estado é conivente e coautor da violência promovida no campo, já que pouco ou nada faz para alterar o cenário nas regiões mais inóspitas e isoladas da floresta amazônica. No meio da Amazônia não existe estado, existe o velho oeste, onde manda quem tem poder, obedece quem não quer levar tiro.

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Pará: Polícia para quem precisa (e pede)

A declaração de Luiz Fernandes Rocha, Secretário de Segurança Pública do Estado do Pará, afirmando que o casal de ambientalistas assassinados em Nova Ipixuna não pediu proteção policial,  prova que o Estado não tem condições de prover segurança aos paraenses, principalmente aos ameaçados por fazendeiros, grileiros e madeireiros.

Segurança pública é um direito constitucional, mas no Pará é preciso pedir primeiro.

Um vídeo gravado no TEDx Amazônia mostra o ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva contando a sensação de “ter uma bala na cabeça”. Os fatos provaram que o assassinato de lideranças que defendem a floresta de pé é só uma questão de tempo.

A Belém Submersa no Trending Topics

Ontem o caos ocasionado pela chuva teve reperscusão no twitter ao figurar em 1° lugar no Trending Topics com a hashtag #btcaos. Esse fato lamentável aumenta o coro de pessoas indignadas com a situação cada vez mais caótica do trânsito e o problema das enchentes, que atingem praticamente todos os bairros de Belém.

No centro,  20 minutos de chuva é suficiente para o esgoto transbordar e o trânsito parar, enquanto na periferia os canais transbordam devolvendo todo o lixo jogado pela população (o lixo é um problema sério em Belém!).Quem não tem a chance de morar em edíficios fica a mercê das águas que invadem as casas, trazendo doenças e causando prejuízo, como destruição de mobilia e outros aparelhos.

 

Andar em dias de chuva forte é perigoso, ja que na cidade a regra é a presença de bueiros sem tampa e bocas-de-lobo entupidas e sem grade, um risco para quem tenta voltar para casa, tanto para pedestres e motoristas.

A Belém de tempos atrás não enchia tanto como enche hoje, então qual a explicação? Talvez o atual prefeito tenha a resposta, já que as obras da bacia da Estrada Nova e Tucunduba estão paradas, provávelmente não serão concluídas nesse péssimo governo municipal, na melhor das hipóteses só em 2013.

 

A população não é só vítima, mas também é cúmplice desses fatos (pelo menos parte da população). Basta circular de Val-de-Cães ao Guamá (como na música do Nilson Chaves) para observar a quantidade de lixões clandestinos em via pública e fiscalização zero.

 

A nosso cenário atual também é reflexo de políticas que alteraram a paisagem urbana tapando canais, permitindo construções irregulares na calha do rio Guamá, além do desleixo quanto ao manejo de resíduos sólidos (entulhos), cada vez mais comum na cidade.

 

Assim como os internautas se mobilizaram para denunciar o caos na cidade, espero que um dia a cidade mude com a mobilização do povo e não de governantes, que uma vez no poder e cercado de assessores, esquecem do povo (relembrando apenas em época de eleição).

 

 

[Nota] Milícia Armada de ex-Deputado Federal assassina militante do MST no Pará

As vésperas do Encontro Nacional do Fórum de Assuntos Fundiários em Belém, ocorre mais um assassinato no campo.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem por meio deste denunciar :

1- A ação de Milícia armada do fazendeiro e ex-Deputado Federal Josué Bengstson (PTB) que renunciou ao mandato para fugir da cassação por envolvimento na Máfia das Sanguessugas resultaram na morte do trabalhador rural e militante do MST José Valmeristo Soares conhecido como Caribé. Por volta de 09:00h da manhã dois trabalhadores rurais João Batista Galdino de Souza e José Valmeristo o Caribé se dirigiam a cidade de Santa Luzia do Pará quando foram abordados por um grupo de três pistoleiro armados no ramal do Pitoró que os obrigaram a entrar em um carro onde foram espancados e torturados. Após seção de torturas foram obrigados a descer no Ramal do Cacual próximo à cidade de Bragança com a promessa de que iriam acertar as contas. João Batista Galdino conseguiu escapar para a mata e ouviu sete disparos.

2- Chegando à cidade de Santa Luzia João Batista denunciou à polícia que afirmou não poder ir por ser noite e dificilmente achariam o corpo. A Direção do MST denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Pará através de Eduardo Ciso que afirmou mandar um grupo de policiais ao local e que conversaria com o Delegado do Interior para tomar providências. Nada foi feito e por volta de 10:00h da manhã de hoje (04/09/2010) os trabalhadores rurais encontraram o corpo de José Valmeristo Soares.

3- Os trabalhadores Rurais Sem Terra estão acampados às proximidades da Fazenda Cambará e a reivindicam para criar um assentamento de reforma agrária. A Fazenda Cambará faz parte de uma gleba federal chamada Pau de remo e possui 6.886 há de terras públicas. O fazendeiro e ex-deputado Federal Josué Bengstson possui somente 1.800 há com títulos e a Promotora de Justiça Ana Maria Magalhães já denunciou varias vezes que se trata de terras públicas. Os trabalhadores já haviam denunciado na ouvidoria agrária do INCRA, Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, Delegacia Regional do MDA, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará e Secretaria de Segurança Pública do Pará as várias ameaças de morte sofridas pelos jagunço e pela própria polícia de Santa Luzia e Capitão Poço sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

4- Denunciamos ao conjunto da sociedade brasileira mais esse vergonhoso ato de omissão e conluio da Polícia do Pará com os fazendeiros do Estado, bem como a incompetência da Secretaria de Segurança Pública do Pará e do Governo do Estado em resolver as graves violações dos direitos humanos no campo que fazem o Estado do Pará atingir o triste posto de campeão nacional de violência no campo. Denunciamos também a inoperância do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, bem como o Programa Terra Legal do Governo Federal que não tem resolvido os problemas fundiários mesmo aqueles que chegam ao conhecimento público.

6- Exigimos a prisão imediata dos pistoleiros que assassinaram o trabalhador José Valmeristo Soares, bem como dos mandantes Josué Bengstson e seu Filho Marcos Bengstson.

7- Exigimos também a desapropriação imediata da fazenda Cambará para o assentamento imediato das famílias acampadas no acampamento Quintino Lira.

Belém, 04 de setembro de 2010

Direção Estadual do MST – Pará

Reforma Agrária. Por justiça social e soberania popular!

Belém: Livraria Jinkings fechará suas portas

Infelizmente mais uma tradicional livraria de Belém será fechada por falta de clientes. Situada no coração do bairro Batista Campos, a livraria ajudou a formar ao longo de 45 anos de existência gerações de intelectuais e pensadores como Benedito Nunes,  Ruy Barata, Haroldo Maranhão, dentre outros.  O certo é que a livraria parou no tempo, já que a tendência atual é de livrarias se localizem em shoppings, em lojas de departamentes, além da compra via internet, em que os livros saem bem mais em conta e por frete grátis.

Ao mesmo tempo que uma livraria encerra as atividades cabe lembrar que  Belém tem uma das maiores feiras de venda de livros (A Feira Pan-amazônica do Livro), que a cada ano aumenta o volume de negócios e  de público.  O certo é que as livrarias hoje em dia não devem apenas vender livros (apesar dessa ser sua atividade primordial!), elas devem ter atrativos, como palestras, shows musicais, eventos literários, maior aproximação com as escolas e universidades, de modo a agregar a intelectualidade e jovens leitores, tal como fazem as grandes livrarias do Brasil (Nobel, Cultura, Fnac, Saraiva/Siciliano, etc.).

Mais uma grande livraria desaparece confirmando a grande vocação de Belém: a cidade do “já teve”.

Leia mais aqui: Belém assiste ao fim das livrarias

Divisão Territorial do Pará: Divisão de Mazelas ou de Riquezas?

Pense comigo caro leitor: a quem interessa dividir o Pará em três pedaços? Aos políticos! O povo sempre foi alheio a essa questão, já que essa divisão foi pouco discutida nas esferas sociais (a exemplo de Belo Monte, que teve uma pífia discussão o que não impediu o prosseguimento no projeto). A divisão do Pará interessa aos políticos, pois eles estão preocupados com seus bolsos, pois com a criação de novos Estados será necessário criar mais duas vagas de governador, pelo menos duas vagas no senado, vagas na câmara federal, sem falar na criação de mais duas assembléias legislativas. Imagine o impacto financeiro em termos de cargos públicos, apadrinhados políticos, verbas de gabinete e outras verbas advindas do Governo Federal, principalmente as que costumam se “garfadas” como saúde e educação.

A partilha dividirá a biodiversidade e a riqueza mineral que há no Estado, no entanto, a pobreza e as mazelas sociais irão continuar, já que essa é a parte podre do pacote separatista. Cabe ressaltar que o atual Governo do Estado contribuiu para aumentar a vontade da classe política em dividir o Pará, por conta da péssima interiorização dos serviços prestados, do aumento no desmatamento e da ineficiência em reintegrar propriedades ocupadas e promover a reforma agrária em áreas de latifúndio improdutivo. Cabe lembrar que o próprio vice-governador é um separatista convicto (Odair Corrêa coordenou por 22 anos o comitê Pró-Estado do Tapajós).

O deputado Giovanni Queiroz (PDT/PA) é um dos líderes do retalhamento, segundo o próprio, em matéria publicada no site criado para apoiar a criação do Estado do Carajás, as motivações são na sua maioria econômicas e eleitoreiras (qualquer leitor com um pouco de discernimento e pensamento crítico vai perceber que não há nenhuma referência ao povo que habita aquela região, só se fala em empresários, pecuaristas e políticos). Os principais apoiadores desse recorte são empresários, em Santarém a Associação Comercial figura como principal apoio.

O principal apoio que os separatistas poderiam obter seria da imprensa paraense, no entanto, os dois principais jornais em circulação aparentemente defendem a manutenção do Estado do Pará na sua configuração atual. O jornal Diário do Pará pertencente ao grupo político de Jader Barbalho criou a campanha “Orgulho de ser do Pará” e que mostra as riquezas culturais do Estado e o orgulho da população em ser paraense, já o Jornal O Liberal e a TV Liberal (O grupo ORM) criou uma campanha aos moldes do Diário chamada “Pará, eu te quero grande” na qual há um abaixo assinado e ao final da página podemos ver que a ACP (Associação Comercial do Pará) apóia o movimento, ao contrário de sua filial em Santarém. Para os separatistas a falta de apoio dos meios de comunicação vai pesar.

Ao que tudo indica ocorrerá um plebiscito e a população irá decidir mesmo com pouca informação a respeito e sem saber se realmente o projeto é bom ou ruim, isso só o tempo e o jogo político irá dizer. Vencerá quem tiver o melhor lobby (agronegócio/mineradoras/madeireiras).

Dividir a “quadrilha” de políticos fisiologistas que assalta o Pará diariamente em três facções é bem mais lucrativo e ajudará a manter o ciclo de pobreza que move a roda da política paraense.

Mais informações:

Sites alusivos ao Estado do Carajás e ao Estado do Tapajós

Campanha da ORM “Pará, eu te quero grande”.

Campanha do Diário do Pará “Orgulho de ser Paraense”.

CPI da Pedofília no Pará: Ameaça de Morte e Perseguição

Recebi a presente carta via Fórum Paraense de Educação no Campo e socializo o drama vivido pela família que acolheu vítima de abuso e agressão, o(s) autore(s) estão ameaçando a família e algo deve ser feito pelas autoridades, que dessa vez elas se façam presentes e que não ocorra mais um evento de violência, dos tantos que ocorrem em nosso Estado, marcado pelo derramamento de sangue inocente.  Aqui Norte é com “M”.


Manaus, 07 de Janeiro de 2010.

Amigos, a mensagem abaixo foi enviada aos jornais paraenses diante do período de terror vivenciado por mim e por alguns familiares. Pedimos ainda, que reenvieem esta mensagem a outras pessoas, para que alguém possa intervir e impedir que algo de mal aconteça.

Senhor Redator,

Peço-lhe que noticie um fato que vem ocorrendo contra parte da minha família, em Cametá, nordeste do Pará, em que nós eu: Amarílis Maria Farias da Silva, meu irmão Even Farias da Silva e meu Pai João Moraes, que acolhemos em junho de 2008 uma adolescente de 14 anos, neta do meu pai, que fora vítima de tortura física (surra dada com terçado) e constrangimento moral pela mãe, minha irmã Aida Maria Farias da Silva, atualmente morando em Brasília e de assedio sexual com atentado violento ao pudor atribuído ao pai, Paulo Gonçalves Damasceno (que se suicidou semanas após ser ouvido pela CPI da Pedofilia em audiência pública em Cametá em agosto de 2009).
Nós em punição ao ato de termos acompanhado a vítima e a mantê-la sob nossa proteção, inclusive com guarda provisória (nunca contestada pelos pais que também nunca soube de declaração oficial feita por eles de tratar-se de uma calúnia), estamos jurados de morte, pelos parentes paternos do casal, desde Junho de 2008, quando a vítima denunciou os pais à polícia.
Esta ameaça não foi denunciada por ausência de testemunha apesar de minhas irmãs, apoiadoras do casal denunciado: Ângela Maria Farias da Silva e Aracele Maria da Silva Baia, serem sabedoras da ameaça de morte, fato que tomei conhecimento casualmente em Dezembro de 2008, através de uma conversa com Aracele, confirmada pela Ângela, que assegurou que o ameaçador em questão já havia morrido.
Novamente essa ameaça surgiu em conversa entre parentes na semana passada em Cametá, vindo a ratificar o que a seguir sucedeu: Hoje, 07/01/2010, meu pai João Moraes da Silva, um cidadão de quase oitenta anos de idade, foi intimidado, constrangido e ameaçado de “pagar muito caro pelo aconteceu” pelo pai do suicida, o Sr. Manoel Damasceno Filho, sindicalista do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cametá, Presidente da Casa Familiar Rural de Cametá, Produtor rural da localidade de Ponta Grande na Estrada Transcametá.

A agressão e a implícita ameaça de morte, anunciada pelo Sr. Manoel Damasceno Filho contra Meu pai, se estende ao meu irmão Even Farias da Silva.

Diante dessa situação de terror já tomamos as seguintes providências: 1. Em 13/10/2009, foi envida uma carta as autoridades que professam estarem comprometidas com a defesa da infância e
adolescência neste país, e que nunca obtivemos qualquer resposta; 2. A polícia de Cametá, foi comunicada hoje, 07/01/2010 sobre o ocorrido, da qual aguardamos prontidão;
3. Estamos dando conhecimento aos jornais do Pará, pedindo ajuda ao divulgarem esta denuncia, para que as autoridades, inclusive os deputados da CPI tenham pressa em agir no impedimento desse possível crime.

Estamos solicitando a quem interessar possa, inclusive os próprios familiares do lado de lá que intervenham, que evitem esse episódio, que religiosos, entidades como os próprios sindicalistas intervenham buscando o bom senso para dar o rumo possível nessa situação. Tomem providências imediatas, buscando impedir que um mal maior venha a ocorrer, pois se nos calarmos, e essa ameaça se cumprir, estará em jogo toda a mobilização para se inibir e erradicar a pedofilia e crimes contra a infância e adolescência ocorridos e ocultados no seio das famílias paraenses.

Atenciosamente,

Amarilis Maria Farias da Silva

Adede Maria Farias da Silva

Para ajudar entre em contato: (91) 3781-2825

Territórios de Paz em Belém: Terra Firme e Guamá são beneficiados

Os bairros ditos mais violentos e mais estigmatizados da capital irão receber as ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). “Território de Paz” é o nome do projeto que desembarca tanto no bairro do Guamá, quanto na Terra Firme. Os dois bairros sofrem com a falta de infra-estrutura básica (saneamento, pavimentação, iluminação, etc), além de concentrarem grande parte da população e também os principais grupos de distribuição de drogas da capital, drogas vindas pelo rio Guamá, portanto, não produzidas aqui (por ainda não dominarem essa tecnologia).

No bairro da Terra Firme, a violência foi visivelmente reduzida, não por conta do aumento do efetivo de policiais nas ruas (é possível ver rondas, mas apenas nas ruas principais do bairro), mas sim pelo mudança no modus operandi das duas quadrilhas que atuam no bairro. No momento existem duas facções (parcialmente organizadas), a localizada nas ruas Lauro Sodré e Ligação (obviamente no final de cada uma delas, onde poucos carros da PM podem passar e onde há quase nehuma infra-estrutura). A primeira aluga armas aos bandidos (algumas vindas de fora da capital e outras fornecidas por pessoas ligadas à Polícia Militar), comercializa entorpecentes em quantidade razoável, a segunda é bem maior em quantidade de drogas vendidas e termos de “soldados”, além de se intitular “mílicia”, ao contrário da primeira (que também é rival) é grande distribuidora de drogas derivadas da cocaína, inclusive é possível perceber a grande quantidade de carros (inclusive alguns importados e peliculados) que vão buscar droga. Os crimes menores, como roubo de bolsas, celulares (em geral crimes contra o patrimônio) foram reduzidos, pelo simples fato de serem os crimes que chamam atenção da polícia e provocam estardalhaço, o que prejudica o “comércio” da droga, em vista disso muitos ladrões-viciados (a maioria são viciados e não roubam para comer por exemplo) foram executados (o dito acerto de contas por dívida como dizem os jornais).

Em relação ao bairro do Guamá, não é possível desenhar uma “geografia do crime”, já que o bairro é um verdadeiro labirinto de ruas e de bocas de fumo, há muitos traficantes nanicos (cada viciado pode ser um micro-traficante), ou seja, o combate a esse tipo de “comércio” é bem mais complicado.

Acabar com o tráfico de drogas é utopia, mas reduzir os efeitos colaterais dessa “doença” que atinge as grandes cidades com “remédios” é a solução, com o objetivo de reduzir principalmente a participação de jovens nesse tipo de associação criminosa e tratando os já seduzidos pelas drogas como doentes. A questão é mais patológica que criminal. Leiam abaixo a notícia sobre a implantação do projeto “Território de Paz”do PRONASCI, publicado no jornal on-line Diário do Pará:

O Pará recebeu R$ 115 milhões do governo federal para investir em segurança pública, nos últimos dois anos. Nesta segunda-feira (19), mais um projeto do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) desembarca na capital paraense: o Território de Paz, que será implantado nos bairros do Guamá e da Terra Firme. “O Pronasci supera, com o Território de Paz, a antiga crença, e  a mais conservadora, de que violência se soluciona a partir de mais repressão”, explicou o secretário-executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira. “Nós defendemos ações sociais de caráter preventivo. Esta é uma visão mais progressista da segurança pública”.

O Pronasci é o programa do governo federal, articulado pelo Ministério da Justiça, nas três esferas do poder Executivo (União, estados e municípios) para implementar, em conjunto, ações de segurança pública, preventivas e repressivas, a fim de enfrentar a criminalidade nas regiões metropolitanas das cidades mais violentas do país. Belém é a décima capital a receber o Território de Paz.

O Ministério da Justiça traz a Belém 24 projetos do Pronasci, que serão anunciados pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, nesta segunda-feira. Alguns deles funcionarão exclusivamente nos bairros do Guamá e da Terra Firme, bairros com alto índice de violência. São eles:

Policiamento comunitário

A interação constante entre a polícia e a comunidade é uma das prioridades do Pronasci para prevenir e conter a violência nas grandes cidades brasileiras. O grande diferencial deste modelo é o foco na prevenção. No Pará já foram capacitados 3.363 profissionais de segurança pública para atuar na mobilização social das lideranças comunitárias, visando garantir ao máximo a difusão do respeito à dignidade humana e aos princípios da democracia.

Postos de polícia comunitária

O Pronasci também investe na construção e estruturação de postos de polícia comunitária nas áreas com maior índice de criminalidade. Em Belém, duas bases de Polícia Comunitária serão construídas. Uma no bairro Guamá: Pass. Alvino, s/nº, esquina com Av. Castelo Branco e outra no bairro Terra Firme: Av. Perimetral, s/nº, em frente ao Portão IV da Universidade Federal do Pará (Betina Ferro).

Mulheres da Paz

O Pronasci seleciona mulheres que fazem parte da rede social e de parentesco do público-alvo do programa (jovens de 15 a 29 anos em situação de risco) e que possuem potencial de liderança. Chamadas de Mulheres da Paz, têm a missão de prevenir os conflitos locais e afastar os jovens da criminalidade, incentivando a participação deles nos projetos sociais do governo federal. Elas receberão um auxílio mensal de R$ 190. Em Belém, 500 mulheres serão selecionadas. O final do processo de seleção será em novembro.

Protejo – Proteção de Jovens em Território Vulnerável

O projeto é voltado a jovens de 15 a 24 anos, moradores de rua ou expostos à violência doméstica ou urbana. Tem como objetivo sensibilizá-los para uma participação social ativa, resgatando sua auto-estima e convivência pacífica nas comunidades em que vivem. Os jovens participarão do curso de formação cidadã, com 800 horas divididas em 12 meses, para atuar como multiplicadores da cultura de paz. Receberão, durante um ano, uma bolsa mensal de R$ 100. Os jovens também participarão de projetos educacionais, culturais e esportivos. Em Belém, 285 jovens já foram selecionados para o projeto e a formação terá início em novembro. Informações na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.

Geração Consciente

O projeto Geração Consciente tem como objetivo a capacitação de jovens para o exercício dos seus direitos enquanto consumidor e a manutenção da sua integridade. Esses jovens serão multiplicadores do que aprenderam junto à comunidade difundindo os direitos do consumidor e a educação para o consumo. Em Belém, 60 jovens de Bengui e Jurunas já participam do projeto. Outros 60 jovens de Guamá e Terra Firme serão selecionados até novembro. Informações no Procon/PA: Avenida Almirante Barroso, nº 919. Bairro Marco.

Monitoramento Cidadão

Uma equipe técnica estará presente nas comunidades para fazer um diagnóstico de como os serviços públicos estão sendo oferecidos e das principais demandas da população. Alguns locais tomados pela criminalidade, por exemplo, estão sendo prejudicados em serviços como transporte, telefonia, gás e etc. Será feito um mapeamento das necessidades de cada local para que, posteriormente, sejam regularizados todos os serviços pagos pelo consumidor.

Justiça Comunitária

Os moradores da comunidade serão conscientizados sobre os seus direitos e capacitados em mediação de conflitos. A mediação comunitária evita que uma simples discussão vá parar na Justiça ou resulte em um ato de violência. Para isso, a população poderá buscar o Núcleo de Justiça Comunitária, contando com a orientação de psicólogo, assistente social e advogado, tendo apoio também dos Agentes de Mediação Comunitária para orientá-los a resolver os problemas locais de forma pacífica e justa. Em Belém, um acordo de cooperação será firmado com o Ministério Público do Pará para a execução do projeto.

Praça da Juventude

Será construída nos bairros do Guamá e da Terra Firme praça de 8 mil metros quadrados para proporcionar atividades de esporte e lazer à comunidade. A praça terá quadras de basquete, vôlei, futebol, tênis, skate, entre outras modalidades, e os moradores contarão com monitores especializados.

Esporte e Lazer da Cidade

O projeto “Esporte e Lazer da Cidade” visa à criação de núcleos recreativos com oficinas que incluem dança, teatro, música, capoeira. O objetivo é atuar diretamente em localidades tomadas por criminalidade, afastar os jovens do tráfico e atraí-los para atividades saudáveis. 60 jovens atendidos pelo projeto estarão presentes no evento. Quatro núcleos atendem o Guamá e a Terra Firme.

Fonte: Diário do Pará.

[Matéria] As novas redes da Amazônia

Com o dedo no teclado e uma conexão (bem) ruim, os blogueiros do Norte são protagonistas da mais nova saga da integração amazônica.

Eles venceram onde projetos de sucessivos governos fracassaram ao longo da história do Brasil. Sem sair de casa, com um computador e uma conexão de internet tão ruim que é conhecida por “ciponet” ou “interlerda”, homens e mulheres de idades variadas vêm conseguindo integrar a Amazônia às demais regiões do Brasil – e ao mundo. Um número cada vez maior de blogueiros tem usado a rede para contar histórias de uma terra que, pela distância, muitas vezes só virava notícia quando era tarde demais. Denunciam desmatamentos, filosofam sobre o cotidiano, fazem literatura, discutem religião, aproximam geografias. Ao botar uma lupa sobre seu quintal, tornam-se cidadãos do mundo. Sua ação transforma o modo de olhar para a Amazônia – e também a forma como a Amazônia olha para as muitas partes de si mesma.

Numa pesquisa inédita, Cartografia da blogosfera no Brasil, Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra que essa conquista da Amazônia é recente. Sua equipe analisou 300 blogs em quatro capitais: Belém, no Pará, Manaus, no Amazonas, Rio Branco, no Acre, e Macapá, no Amapá. Promoveu ainda encontros em Porto Velho, Rondônia, e Boa Vista, Roraima. Concluiu que quase 90% dos blogueiros da Região Norte fincaram sua bandeira entre 2007 e 2009. Possivelmente devido às dificuldades de acesso: segundo dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, até 2008 apenas 7% da população do Norte tinha acesso à internet em casa, em comparação a 25% no Sudeste.

O blog foi o primeiro gênero de expressão nascido na internet – e não adaptado para ela. Ele tem o espírito libertário da rede, onde qualquer um pode se manifestar. Os blogs ampliaram a diversidade de olhares sobre o mundo e contribuíram para disseminar informações nos regimes mais fechados. Sua força foi provada em países autoritários, como Cuba e Irã, quando blogueiros foram decisivos para furar o bloqueio da comunicação.

É verdade que não dá para confiar em tudo o que os blogs publicam. Há blogueiros que tentam substituir a atividade de jornalistas sem assumir os deveres correspondentes. Tanto no que se refere à apuração e checagem rigorosa das informações, quanto à responsabilidade por publicá-las. Também é fato que a própria rede tem elementos que podem ajudar a resolver esse problema. Construir reputação e credibilidade na blogosfera é uma tarefa árdua. Quando um blog deixa de ser linkado e comentado por não ter compromisso com a verdade, é um tipo de morte. Se esse mecanismo bastará para garantir a ética na internet, é algo ainda incerto. Mas é impossível, hoje, falar em comunicação sem levar em conta os blogueiros – e em nenhum lugar do país isso é tão claro quanto na Amazônia.

Lá, eles assumiram o papel de divulgar informações e pontos de vista que até então não circulavam nem dentro da região, menos ainda fora. Realizaram a façanha de romper a barreira geográfica. Com a consultoria de Malini, ÉPOCA escolheu quatro blogs. Feitos à imagem e semelhança de seus criadores, cada um conta um capítulo da nova saga da integração da Amazônia.

Fonte: Revista Época On-line

Encontro Nacional dos Estudantes de Letras em Belém [Enel 2008]: expectativas

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O Encontro Nacional dos Estudantes de Letras faz parte do calendário de todo estudante de letras engajado. Trata-se de um encontro promovido pela base estudantil com apoio dos CA’s (Centros acadêmicos), ExNel (Executiva Nacional dos Estudantes de Letras) e suas regionais, assim como o apoio da Universidade sede e dos orgãos ligados a ela.

Já participei de dois encontros, o primeiro em 2005 em Recife, realizado na UFPE. O encontro pecou ao perder o controle da situação com o inchaço de participantes, o que prejudicou a infra-estrutura básica do evento, já que os banheiros eram insuficientes, os alojamentos também, além da programação acadêmica que ficou comprometida. A comida era suficientemente boa, assim o encontrista ficava feliz depois de passear pela bela cidade e encontrar o sabor da fascinante culinária nordestina.

Em 2006, na então capital federal, as coisas melhoraram. A programação acadêmica funcionou muito bem, com excelentes palestras (Marcos Bagno, Dante Lucchesi, Evanildo Bechara, Marta Scherre, Aryon Rodrigues, etc). As festas foram boas também, bem animadas (não tanto quanto as do Enel em Recife), exceto pelo espaço minúsculo, pelo frio e pela turma da “fumaça” que “pegou fogo”.

A comida pouco caprichada e as longas distâncias entre o centro olímpico e o ICC também foram pontos negativos do encontro, mas no geral a avaliação foi boa.

Em 2007 em Curitiba não pude comparecer, mas fontes seguras afirmaram que o encontro teve muitos problemas, inclusive algumas pessoas que iriam apresentar trabalho não conseguiram por conta de falta de local, horário, etc. Quem foi elogiou muito mais a cidade do que o encontro em si, ou seja, a cidade salvou o encontro.

Já estamos em 2008 e o encontro será em Belém, o que é louvável. Primeiro por ser a capital da Amazônia, por estar fincada no meio da floresta amazônica e cercada por desafios, mitos e contradições.

A capital paraense não possui animais silvestres passeando nas ruas e avenidas e muitos menos é tomada por esquadrões de mosquitos, pelo contrário, aqui você encontra um metrópole aos moldes amazônicos, com clima quente e úmido, povo hospitaleiro, com uma diversidade de ritmos, sabores e raças.

Quem pisa na Amazônia nunca mais volta o mesmo, disso podem ter certeza, aqui os rios são oceanos, a floresta é um imenso tapete verde, as chuvas tem hora marcada para cair, só aqui temos noção de que o Brasil é um continente.

Estudantes de Letras do Brasil, participem e aprendam a valorizar e defender o que é nosso!

Mais informações:

ENEL-2008
Belém-Pa
Encontro Nacional dos Estudantes de Letras

Data do Encontro:19/07 à 26/07/08

Inscrição:

Período: 03/03/08 —- 30/04/08

Inscrição Completa: R$65.00 (inscrição+alojamento+alimentação)

Inscrição+Alojamento: R$50.00

Inscrição+Alimentação: R$55.00

Somente Inscrição: R$40.00

Período: 01/05/08 —- 19/06/08

Inscrição Completa: R$80.00 (inscrição+alojamento+alimentação)

Inscrição+Alojamento: R$65.00

Inscrição+Alimentação: R$70.00

Somente Inscrição: R$60.00

Período: 27/06/08 —- 19/07/08

Inscrição Completa: R$100.00 (inscrição+alojamento+alimentação)

Inscrição+Alojamento: R$85.00

Inscrição+Alimentação: R$90.00

Somente Inscrição: R$80.00

Agência: 3702-8

Conta Poupança: 23951-8 Banco do Brasil

O recebimento de trabalhos acontecerá de 01 de março a 16 de maio, interessados enviar resumos para enelpara@yahoo.com.br

As regras para submissão são as da ABNT em vigor

Weblog do evento (em breve teremos hotsite): http://xxixenel.blogspot.com/