[Nota] Milícia Armada de ex-Deputado Federal assassina militante do MST no Pará

As vésperas do Encontro Nacional do Fórum de Assuntos Fundiários em Belém, ocorre mais um assassinato no campo.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem por meio deste denunciar :

1- A ação de Milícia armada do fazendeiro e ex-Deputado Federal Josué Bengstson (PTB) que renunciou ao mandato para fugir da cassação por envolvimento na Máfia das Sanguessugas resultaram na morte do trabalhador rural e militante do MST José Valmeristo Soares conhecido como Caribé. Por volta de 09:00h da manhã dois trabalhadores rurais João Batista Galdino de Souza e José Valmeristo o Caribé se dirigiam a cidade de Santa Luzia do Pará quando foram abordados por um grupo de três pistoleiro armados no ramal do Pitoró que os obrigaram a entrar em um carro onde foram espancados e torturados. Após seção de torturas foram obrigados a descer no Ramal do Cacual próximo à cidade de Bragança com a promessa de que iriam acertar as contas. João Batista Galdino conseguiu escapar para a mata e ouviu sete disparos.

2- Chegando à cidade de Santa Luzia João Batista denunciou à polícia que afirmou não poder ir por ser noite e dificilmente achariam o corpo. A Direção do MST denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Pará através de Eduardo Ciso que afirmou mandar um grupo de policiais ao local e que conversaria com o Delegado do Interior para tomar providências. Nada foi feito e por volta de 10:00h da manhã de hoje (04/09/2010) os trabalhadores rurais encontraram o corpo de José Valmeristo Soares.

3- Os trabalhadores Rurais Sem Terra estão acampados às proximidades da Fazenda Cambará e a reivindicam para criar um assentamento de reforma agrária. A Fazenda Cambará faz parte de uma gleba federal chamada Pau de remo e possui 6.886 há de terras públicas. O fazendeiro e ex-deputado Federal Josué Bengstson possui somente 1.800 há com títulos e a Promotora de Justiça Ana Maria Magalhães já denunciou varias vezes que se trata de terras públicas. Os trabalhadores já haviam denunciado na ouvidoria agrária do INCRA, Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, Delegacia Regional do MDA, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará e Secretaria de Segurança Pública do Pará as várias ameaças de morte sofridas pelos jagunço e pela própria polícia de Santa Luzia e Capitão Poço sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

4- Denunciamos ao conjunto da sociedade brasileira mais esse vergonhoso ato de omissão e conluio da Polícia do Pará com os fazendeiros do Estado, bem como a incompetência da Secretaria de Segurança Pública do Pará e do Governo do Estado em resolver as graves violações dos direitos humanos no campo que fazem o Estado do Pará atingir o triste posto de campeão nacional de violência no campo. Denunciamos também a inoperância do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, bem como o Programa Terra Legal do Governo Federal que não tem resolvido os problemas fundiários mesmo aqueles que chegam ao conhecimento público.

6- Exigimos a prisão imediata dos pistoleiros que assassinaram o trabalhador José Valmeristo Soares, bem como dos mandantes Josué Bengstson e seu Filho Marcos Bengstson.

7- Exigimos também a desapropriação imediata da fazenda Cambará para o assentamento imediato das famílias acampadas no acampamento Quintino Lira.

Belém, 04 de setembro de 2010

Direção Estadual do MST – Pará

Reforma Agrária. Por justiça social e soberania popular!

MST Pará denuncia arbitrariedades de autoridades policiais e ação de grupos armados na Fazenda Cambará

O Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra – MST vem a público de denunciar a ação arbitrária da Polícia Militar e Polícia Civil do município de Santa Luzia do Pará a cerca de 200 km de Belém.

A Fazenda Cambará  fica localizada a 40 km de Santa Luzia do Pará e pertence à Gleba Pau de Remo. Trata-se de uma área pertencente à União apropriada de forma ilícita por fazendeiros. O atual posseiro das terras chama-se Josué Bengston ex-deputado federal que renunciou o mandato em …..? por conta do envolvimento na “Máfia dos Sanguessugas” ou “Máfia das Ambulâncias”. Foi na Fazenda Cambará que o lendário Justiceiro Quintino Lira iniciou sua luta em defesa dos trabalhadores rurais e contra os latifundiários do estado.

Atualmente 170 famílias de trabalhadores rurais sem terra lutam para construir um assentamento na área e tem sofrido uma série de incursões clandestinas e ilegais; seja de policiais civis e militares, seja de um grupo de 08 pistoleiros que se abrigam na fazenda. Ações como espancamento, humilhações no ramal do Pirucal que dá acesso ao acampamento, são quotidianas contra as famílias sem terras, sem contar as ameaças de morte sofridas por 08 lideranças locais.

Os trabalhadores SemTerras já fizeram várias denúncias na delegacia de Santa Luzia do Pará  sem que nenhuma providência tenha sido tomada pelas autoridades policiais. Como resultado já foi aberto inquérito por crime ambiental contra os trabalhadores.

O INCRA já foi comunicado da reivindicação de desapropriação da terra, mas não tem dialogado com os trabalhadores numa clara demonstração de conluio com os latifundiários da região.

O clima na região  é muito tenso principalmente após atentado à tiros sofridos pelos trabalhadores em seu acampamento no último dia 07 ás 00h12minh. Há mulheres grávidas e muitas crianças no local e os trabalhadores temem pelo pior se permanecerem as arbitrariedades da polícia de Santa Luzia do Pará e o descaso das autoridades policiais.

Conclamamos os defensores dos Direitos Humanos, bem como os que lutam pela Reforma Agrária a denunciarem a postura do Governo do Estado através da Secretaria de Segurança Pública e polícia Civil e Militar, INCRA e MDA pela morosidade na realização reforma Agrária e exigimos providência imediatas para garantir o direito a segurança, à terra e à Justiça Social. 

Acampamento Quintino Lira, Santa Luzia do Pará, 10 de junho de 2010 

MST, Daniel Dantas e violência

Quem viu as imagens divulgada pela rede Globo deve ter ficado horrorizado com aquelas cenas dantescas de violência. Quem estava com a razão? Os integrantes do MST ou os seguranças? Quem atirou primeiro? Será que é necessário tomar atitudes violentas diante dessa situaçõ de impasse? 

Segundo a Globo, os culpados foram os sem-terra, na verdade sempres são os culpados, inclusive pelo massacre que completa 13 anos nesse mês e marca o abril vermelho.  Abaixo reproduzo a cópia da nota de esclarecimento do MST. É importante saber o outro lado da história e não só acreditar no que a imprensa “oficial” diz. Esse é o primeiro passo para que povo saia da mediocridade e deixe de ser enganado. Existem várias verdades, mas a mentira é global e nos agarramos a ela.

Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará
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Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar (inclusive os jornalistas filmaram as imagens do ponto de vista dos seguranças, logo, não poderiam ter sido usados como escudo). Esclarecemos também que:

1) No sábado pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.

2) O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.

3) Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.

4) Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de “escudo humano”, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.

5) Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo – como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.

6) Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.

7) Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.

MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – PARÁ

PS.: Latifundiários e jornalistas vendidos o Pará já tem de sobra.

 

PROCAMPO 2: elogios, críticas e acusações

Lançado na última sexta-feira (3) a segunda edição do Programa de Vivência Estudantil-Camponesa (PROCAMPO), no auditório do Hotel Sagres, com a presença da governadora do Estado, Ana Júlia Carepa, autoridades do governo e representantes dos movimentos sociais e das universidades públicas, o seminário de apresentação reuniu em torno de 1.400 alunos para conhecer o programa e seus principais objetivos.

O PROCAMPO é uma das políticas de valorização do cidadão do campo e visa integrar conhecimentos teóricos aprendidos na universidade com a realidade local dos camponeses que vivem da agricultura familiar. Cada estudante passa por um curso de formação durante 3 meses, no qual receberá formação para que o mesmo esteja apto a realizar a vivência, sendo que aos finais de semana durante período do curso, são realizadas caravanas de integração, aproximando os alunos da realidade camponesa.

O programa iniciou suas atividades com 120 estudantes-bolsistas e para a segunda edição dobrou o triplicou o número de bolsas para 360 e também o número de localidades (que antes eram apenas a região de ilhas de Abaetetuba e o assentamento João Batista II,  em Castanhal) de duas para cinco (Abaeté, Cametá, Moju, Mosqueiro e Castanhal).

Embora o programa tenha grande apoio das Universidades públicas, dos movimentos sociais, como MST, FETRAF e FETRAGI, algumas críticas e cometários falaciosos surgiram. Parte dessas críticas parte da próprio movimento estudantil da UFPA, ou seja, do DCE-UFPA, que acredita que o programa foi criado apenas para formar 100 militantes do PT, sendo que depois os mesmos constituiriam chapa de oposição contra o DCE no próximo pleito.

(ProCanto – sátira feita pelo blog “Juventude em Pauta”, por deixar supostamente o campesinato no “canto”, à margem).

Acredito que seria muito desperidício de verba pública montar um programa desse porte para criar uma chapa de oposição contra o movimento estudantil de extrema esquerda, que possui em sua maioria militantes da esquerda  radical (PSOL e PSTU). Esse movimento estudantil que é contra a integração dos estudantes e contra um programa que faz o que o próprio movimento não faz, ainda defende o EIV (Estágio Interdisciplinar de Vivência), estágio esse que nunca ouvi falar dentro da esfera acadêmica paraense e não conheço ninguém que tenha participado desse estágio, que existe, mas não na UFPA.

O movimento estudantil da UFPA há muito tempo não cumpre seu papel, deixa de integrar os estudantes (exceto nas reuniões para decidir datas de forró), não contribui para a formação política e não luta por melhorias nas condições de educação dentro da academia. Existem outros interesses e outros objetivos e em nenhum deles os estudantes estão inseridos.

Saiba mais:

Site Oficial do ProCampo  – http://www.segov.pa.gov.br/procampo/

Blog Oficial do ProCampo – http://procampo.wordpress.com/

Nota do Autor.: Um outro cidadão contestador também teceu críticas extensas em relação ao PROCAMPO, mostrando que o mesmo é um desperdício de verba pública, que enxerga os camponeses como “ET” e serve apenas para agregar “mauricinhos e patricinhas” de classe média sem causa, produzir TCCs, passear e telefonar.

Confiram os textos completos aqui.