Pará: Polícia para quem precisa (e pede)

A declaração de Luiz Fernandes Rocha, Secretário de Segurança Pública do Estado do Pará, afirmando que o casal de ambientalistas assassinados em Nova Ipixuna não pediu proteção policial,  prova que o Estado não tem condições de prover segurança aos paraenses, principalmente aos ameaçados por fazendeiros, grileiros e madeireiros.

Segurança pública é um direito constitucional, mas no Pará é preciso pedir primeiro.

Um vídeo gravado no TEDx Amazônia mostra o ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva contando a sensação de “ter uma bala na cabeça”. Os fatos provaram que o assassinato de lideranças que defendem a floresta de pé é só uma questão de tempo.

Mais mortes por terra no Pará

Hoje mais dois camponeses foram vítimas da disputa por terra no Estado do Pará. Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva foram assassinados no Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

O casal militava pela reforma agrária e defendia a preservação da floresta, denunciando madeireiros da região que insistiam na exploração predatória dos recursos florestais.

Como é comum na região, as vítimas são ameaçadas constantemente e pedem proteção policial, quase sempre mínima e insuficiente. O final é esperado, assim como aconteceu com a missionária Dorothy Stang em Anapu.

E o Governo do Estado? O que fez para evitar mais uma morte?

E ainda querem anistiar desmatadores (no novo Código Florestal) e propagar a ideia de que o crime compensa.