XII Feira Pan-Amazônica do Livro: do luxo ao caos.

“Por volta das 16h de ontem uma horda de pivetes saiu pelos corredores do Hangar, na feira do livro, fazendo um arrastão, semeando desespero entre os freqüentadores, assustando mulheres e crianças”

[Diário do Pará, quinta-feira, 25/9/2008]

Há pouco mais de 10 anos que a feira pan-amazônica é realizada em Belém, particularmente acompanho a feira desde quando era um evento pequeno, ainda no CENTUR, era menor, não tinha tantos expositores ou atrações e o público era bem seleto.

Com o tempo, nossos “administradores” da cultura começaram a ter mania de grandeza e a querer todo ano superar o número de visitantes, aliás, nessa época (entre 2004-2005) transferiram a feira para um local maior e menos confortável, galpões das Docas do Pará ao lado da Estação das (Don)docas.

O mania de grandeza continuou nos anos seguintes e a feira passou a ser realizada em uma tenda improvisada, que quando chovia parecia que tudo iria desabar. O evento foi inchando, os corredores ficaram menores, os espaços para leitura foram dando lugares a estandes das grandes livrarias, resumindo: a feira do livro virou um ver-o-peso do livro.

Hoje, em 2008, na 12ª edição vejo ainda a mesma situação dos últimos anos: corredores abarrotados de crianças e “aborrecentes” correndo, alguns tirando fotos para pôr no Orkut, paquerando (o que não é ruim!), fazendo baderna ou praticando vadiagem. Esses jovens estão fazendo tudo, menos comprando ou lendo livros! Muitos vão uniformizados, alguns gazetando na cara dura mesmo.

Na minha opinião de analista, para que a feira não perca qualidade e nem prejudique os negócios (80% dessas crianças e jovens não vão atrás de leitura e prejudicam quem quer fazer compras), acho que a organização do evento deveria COBRAR ingresso, sim, cobrar mesmo, assim toda aquela quantidade de gente pensaria duas vezes antes de ir para a feira com objetivos de “vadiagem”. Em lugares mais civilizados existe cobrança e nínguem morreu por isso, como na Bienal do Livro de São Paulo. Essa medida evitaria também a depedração do espaço, como pichações ou vandalismo.

Não sou elitista e nem defendo os interesses das classes mais favorecidas, mas pelo bom andamento do evento e para evitar tumultos acredito que essa medida será eficaz.

Apesar dos pesares recomendo para os mais corajosos que participem da feira e comprem livros (que continuam caros, mas há os de bons preços). A programação cultural e acadêmica está boa (já foi melhor em anos anteriores).

Serviço: www.feirapanamazonicadolivro.com.br

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