Educação: Mais presídios, menos escolas

Durante a semana passada acompanhamos sérios casos de violência nas escolas públicas paraenses, casos de agressão com estiletes, no total foram 4 casos. Já não é a primeira vez que casos como esses acontecem em ambiente onde os alunos deveriam aprender para mudar suas vidas.

As escolas da periferia são as que mais sofrem com a pressão do entorno violento, alunos que vem de famílias desestruturadas ou que não tem família e são criados como “bicho solto”, sem limites e sem medo do que possa acontecer, são jovens que não pensam no amanhã e que acham que o mundo é deles. Um triste quadro que inevitavelmente faz parte do ambiente escolar.

A escola acaba atuando como “família” desses adolescentes e jovens soltos no mundo, quando deveria ter a função primordial de promover o conhecimento, a construção do caráter é papel da família e não da escola.

Esse cenário apocalíptico gera como consequência a superlotações de cadeias e presídios, não é a toa que a maioria são jovens evadidos das escolas, grande parte da periferia. Eles saem das escolas, vão para as ruas e logo estão nas cadeias. Caso o Governo do Estado Pará (e sua política elitista e neoliberal) não tome medidas enérgicas, será necessário criar novos presídios para esses jovens.

As escolas públicas estaduais paraenses são atualmente verdadeiras fábricas de fracasso, pois grande parte desses estudantes sequer chegam ao ensino médio e quando chegam não fazem nem o ENEM (a participação dos estudantes paraenses ficou abaixo dos 50%) e muito menos um curso técnico ou profissionalizante. A escolaridade de boa parte dos presos provisórios e condenados é ensino fundamental incompleto, portanto, há uma relação direta entre escola ruim e aumento da população carcerária.

Engrenagens do Fracasso na Educação Paraense

As escolas devem ter suas infraestruturas melhoradas (muitas nem tem quadras de esportes, biblioteca ou laboratório de informática em funcionamento), assim como a carga horária desses alunos aumentada. Além disso, é preciso que os professores passem a “dar aula” de verdade e parem de fazer greve. Faça uma pesquisa nas escolas e pergunte aos alunos quantas aulas eles não tiveram durante a semana…você vai ficar chocado com as respostas!

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Educação Paraense: Caso de Polícia

A educação no estado do Pará está a cada dia pior, não por falta de investimentos e projetos – que pipocam a cada programa de governo – mas sim por falta de vergonha na cara de muitos políticos que não percebem a importância de uma escola de qualidade para o povo pobre que reside neste rico estado. A forma como a educação é negligenciada no nosso estado é um crime e os culpados estão aí soltos com as contas bancárias “gordas” (veja o caso da roubalheira na ALEPA e outras gatunagens promovidas por políticos).

Basta você visitar as escolas públicas em Belém, Ananindeua, Marituba e qualquer outro município do estado para constatar o quanto a infraestrutura das escolas está tão sucateada que é melhor não estar na escola, pois o teto pode cair, não há bebedouros, as carteiras escolares estão sujas e quebradas, os ventiladores não prestam e podem cair, os banheiros estão precários, dentre outros problemas sérios que comprometem a educação de nossas crianças e jovens. Recursos para reforma existem aos montes, mas o que pode explicar o motivo pela qual as escolas estão caindo aos pedaços?

Todo mundo sabe (ou deveria saber) que as obras que são feitas por empreiteiras contratadas pelo estado (ou município) e quase sempre as obras são superfaturadas e de péssima qualidade, o que demandará em breve novos reparos, ou seja, a obra não é feita para durar, mas sim para quebrar e gerar nova ordem de serviço… É dessa forma que empreiteiras e políticos conseguem angariar recursos públicos para benefício próprio e quem perde são os alunos que sofrem para conseguir aprender alguma coisa em escolas precárias, locais que nem os filhos dos políticos gostariam de estudar.

É importante lembrar que sucatear a educação pública (e outros serviços públicos) é uma forma de manter o ciclo de pobreza que se arrasta há vários anos no nosso estado e beneficiar a iniciativa privada, basta observar o Conselho Estadual de Educação do Pará que atualmente é presidido por representante da iniciativa privada.

A situação das escolas públicas situadas nas periferias das cidades é bem pior, pois os melhores professores não querem se deslocar aos bairros distantes por medo de assaltos e não há muitos professores residentes nos bairros (situação ideal), além dos constantes atrasos no inicio das atividades letivas (as aulas nas escolas públicas do Pará iniciaram em abril e em muitas nenhuma aula foi dada! O que é uma vergonha!) e professores faltosos que são figuras frequentes nas escolas públicas (beneficiados pela estabilidade do emprego acabam abusando das faltas).

O resultado de todo esse cenário caótico: a educação paraense é a pior do Brasil (dados do IDEB).