Tarifa de ônibus urbano de Belém não é a mais baixa do Brasil

Belém não é a capital com a tarifa mais baixa do Brasil, segundo os dados das prefeituras, São Luís (MA) com R$ 1,60 responde pela menor tarifa, enquanto que Florianópolis (SC) possui a tarifa mais cara (R$ 2,80).

A diferença entre tarifas não pode ser comparada, já que cada cidade possui um sistema de transporte diferente, São Luís é uma ilha por exemplo, Belém (sem levar em consideração a Região Metropolitana) não é tão grande quanto São Paulo ou Rio de Janeiro, portanto, comparar preços e justificar reajuste de tarifa da cidade por ser a mais barata do Brasil também não é aceitável (essa sempre foi a principal razão para os reajustes anuais praticados pelo SETRANSBEL (sindicato patronal dos ônibus).

De fato, a frota  de ônibus foi renovada em parte, a maioria da renovação se deu nas empresas de Belém, as que circulam em Ananindeua, Marituba, Mosqueiro e Benevides ainda deixam muito a desejar.

Nossos ônibus não têm ar-condicionado e muitos são sujos e circulam lotados, sem falar na falta de educação por parte dos funcionários, principalmente no tratamento com idosos, portadores de necessidades especiais e gestantes.  A passagem de ônibus é cara para o trabalhador paraense e a tendência é que só aumente.

PS.: A Prefeitura de Belém novamente  nos apresenta um projeto  contraditório, que é o de perdoar o ISS (Imposto sobre Serviços) que o SETRANSBEL deve, o que gira em torno de R$ 80 milhões. O projeto é um presente para os empresários, pois não são os juros que serão perdoados, mas sim a dívida propriamente dita. Será que com o perdão dessa dívida, a tarifa vai ser reduzida? A qualidade do serviço será melhorada?

Fiquem atentos.

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Privatização da Água em Belém: Vendendo a Água da Amazônia.

Um dos mais recentes golpes da administração municipal diz respeito a concessão dos recursos hídricos de Belém, ou seja, há uma forte vontade política (encabeçada pelo prefeito Duciomar Costa e sua base governista na Câmara Municipal de Belém) para privatizar o serviço de fornecimento de água em Belém.  A população ainda não consegue ver as consequências desastrosas que essa ação irá trazer para a população pobre da capital.

A falta de investimento público e o sucateamento do serviço prestado pela Cosanpa (Companhia de Saneamento do Estado do Pará) são fatores que, segundo a prefeitura justificam a venda do serviço. Todos nós sabemos que a água é um bem público fundamental e essencial para todos, portanto, não deve estar nas mãos de empresários que só visam o lucro, veja o caso da Celpa que foi privatizada em 1998 e qual foi o bônus para a população? Nenhum. Nesse caso só tivemos ônus, a conta encareceu demais e muitos deixaram de pagar e acabaram praticando o famoso “gato” (ligação clandestina comum na periferia).

Qual será o bônus caso o serviço de abastecimento seja de fato privatizado? Será que a população deve aceitar essa manobra do prefeito? Que interesses existem por detrás dessa proposta de privatização? Interesses meramente políticos é claro.

Em Belém os que mais precisam da “água da Cosanpa” são os trabalhadores, muitos moradores da periferia da cidade que não podem perfurar um poço artesiano ou desembolsar semanalmente dinheiro para comprar os garrafões de água mineral que vendem por aí. A maioria da população consome água suja (apesar da mesma sair limpa da Estação de tratamento Bolonha) e imprópria para o consumo. Caso uma empresa se aproprie da consessão de água em Belém, sem dúvida a conta de água não vai reduzir, pelo contrário, irá aumentar (veja o exemplo de Manaus, que teve o serviço privatizado e em seguida abandonado pelas empresas).

A população de Belém deve ficar atenta. Privatizar a água em Belém terá um impacto real e simbólico para o contexto amazônico. Vender a água de Belém é vender a água da Amazônia.