Belém do Pará: a Veneza de Lama e Lixo

Comparar Belém a Veneza é um absurdo tremendo, mas vou correr o risco e fazer um paralelo entre a bela cidade italiana das águas e cidade amazônica alagada a cada chuva de 15 minutos.

É chocante ver o quanto a população de Belém sofre a cada chuvinha das 2 (a clássica). Quando chove há duas opções: sair e ficar ilhado na rua ou ficar ilhado em casa, pois não só as baixadas alagam e muitas ruas dos bairros ditos “nobres” também vão para o fundo.

"Esse rio é minha rua" era para ser uma metáfora.

A política de drenagem das águas pelos canais de Belém sempre foi desastrosa: primeiro a regra era tapar os canais (exemplo: parte da extensão da Av. Gentil Bittencourt  da Travessa. 14 de março eram um canais, dentre outros canais que foram fechados e niguém percebeu e outros que queriam tapar, como a Doca), depois a regra era realizar a macrodrenagem dos mesmos (exemplo: bacia do Una).

Atualmente há duas obras de macrodrenagem em andamento na cidade, a da bacia da Estrada Nova e do Tucunduba, ambas em ritmo lento (só 8% da obra do igarapé Tucunduba, o principal da cidade está concluída). Enquanto essas duas obras amargam a morosidade e a ineficiência do poder público municipal, a população de Belém ainda vai ter que levantar seus móveis e meter o pé na água suja a cada chuva, além de ver o lixo e entulho invadirem as residências ao menor chuvisco.

Áreas nobres e baixadas: unidas pelos alagamentos.

A obra da  Estrada Nova e do Tucunduba só devem andar de fato depois do término da administração do atual desprefeito e quem sabe depois de 2012 algo poderá ser feito para acabar com esses alagamentos na cidade.

A Belém Submersa no Trending Topics

Ontem o caos ocasionado pela chuva teve reperscusão no twitter ao figurar em 1° lugar no Trending Topics com a hashtag #btcaos. Esse fato lamentável aumenta o coro de pessoas indignadas com a situação cada vez mais caótica do trânsito e o problema das enchentes, que atingem praticamente todos os bairros de Belém.

No centro,  20 minutos de chuva é suficiente para o esgoto transbordar e o trânsito parar, enquanto na periferia os canais transbordam devolvendo todo o lixo jogado pela população (o lixo é um problema sério em Belém!).Quem não tem a chance de morar em edíficios fica a mercê das águas que invadem as casas, trazendo doenças e causando prejuízo, como destruição de mobilia e outros aparelhos.

 

Andar em dias de chuva forte é perigoso, ja que na cidade a regra é a presença de bueiros sem tampa e bocas-de-lobo entupidas e sem grade, um risco para quem tenta voltar para casa, tanto para pedestres e motoristas.

A Belém de tempos atrás não enchia tanto como enche hoje, então qual a explicação? Talvez o atual prefeito tenha a resposta, já que as obras da bacia da Estrada Nova e Tucunduba estão paradas, provávelmente não serão concluídas nesse péssimo governo municipal, na melhor das hipóteses só em 2013.

 

A população não é só vítima, mas também é cúmplice desses fatos (pelo menos parte da população). Basta circular de Val-de-Cães ao Guamá (como na música do Nilson Chaves) para observar a quantidade de lixões clandestinos em via pública e fiscalização zero.

 

A nosso cenário atual também é reflexo de políticas que alteraram a paisagem urbana tapando canais, permitindo construções irregulares na calha do rio Guamá, além do desleixo quanto ao manejo de resíduos sólidos (entulhos), cada vez mais comum na cidade.

 

Assim como os internautas se mobilizaram para denunciar o caos na cidade, espero que um dia a cidade mude com a mobilização do povo e não de governantes, que uma vez no poder e cercado de assessores, esquecem do povo (relembrando apenas em época de eleição).