Wikileaks Rules

Um dos assuntos mais comentados da semana foi o vazamento de documentos confidenciais expondo as relações diplomáticas dos EUA com o resto do mundo. Ao ler os documentos fica claro que os embaixadores americanos atuam como “meninos de recado” comentando desde assuntos exclusivos de outros países (como a questão da copa de 2014) até “fofocas” (cf. a loira ucraniana acompanhante do ditador Líbio Muammar Gaddafi).

Até o Brasil é citado como um país que disfarça ações terroristas e que reluta em criar legislação anti-terror. O Ministério das Relações Exteriores é chamado de “anti-americano” e Nelso Jobim de “aliado” (o que é sintomático, já que o mesmo “não fede e nem cheira” em termos de importância).

Diante desse quadro podemos dizer que o Wikileaks é a pedra no sapato dos EUA e outros países. Quem acompanha sabe que a quantidade de informações “vazadas” carecem de verificação e análise e há muita coisa podre nesses documentos. O Wikileaks nos mostra que os EUA é o grande terrorista de todos os terrorista do planeta, já que aplica um terrorismo de Estado ao mandar torturar, vigiar, espionar, fofocar, dentre outros abusos.

Como era esperado o Wikileaks perdeu a sua hospedagem nos EUA (via Amazon, por pressão dos congressistas) e teve que buscar lugar na Suiça (veja aqui o novo endereço http://wikileaks.ch)

O Wikileaks é uma obra coletiva e com o esforço da comunidade global que deseja saber a verdade não será apagado da web. O fenômeno Wikileaks é definitivo e outros Wikileaks devem surgir em outros países.

 

Os EUA devem parar de se meter no que não é chamado. Cada um no seu quadrado.

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Boris Casoy, o filho do Brasil [por Paulo Ghiraldelli Jr]

A função desse site é discutir temas da atualidade e também reproduzir bons textos surgidos na internet. Recebi o texto de autoria de Paulo Ghiraldelli Jr que trata da questão do preconceito contra os pobres que constroem esse país e tem como retribuição o deboche e a humilhação  demonstrada em rede nacional pelo jornalista Boris Casoy. Na minha opinião e usando as palavras do próprio ancião preconceituoso: isso é uma vergonha!

Uma parte da nossa esquerda política imagina que os ricos não são brasileiros. Pensam que eles ainda são os filhos de uma elite que estudou na Europa e que, se o Brasil for mal, irá embora daqui. Imagina que são pessoas completamente por fora da vida cotidiana do Brasil. Essa visão da esquerda pouco ajuda. Enquanto não entendermos que um homem de direita como Boris Casoy é tão “filho do Brasil” quanto Lula, não vamos descrever o Brasil de um modo útil para os nossos propósitos de melhorá-lo.

Creio que o vídeo que mostra Boris ridicularizando de maneira odiosa os garis, com o qual iniciamos o ano, deveria valer de uma vez por todas para compreendermos algo que, não raro, há vozes que querem negar: “o ódio de classe” permanece entre nós – sim, nós os brasileiros. Deveríamos levar em conta isso, sem medo, ao descrever o Brasil.

Quando Ciro Gomes, ao comentar algumas reações às políticas sociais, então vindas de determinados grupos da imprensa, disse que tal coisa era obra “da elite branca”, a reação da direita foi imediata. Um dos elementos mais à direita que temos na imprensa brasileira, Reinaldo de Azevedo, saiu rasgando o verbo. Primeiro, elogiou Patrícia Pillar, atriz mulher de Ciro, para não criar desafetos, e em seguida tratou o político como um bobalhão que teria falado de algo que não existe no Brasil. Ciro teria bebido demais em algum rortianismo, lá nos Estados Unidos, quando então fez curso arrumado por Mangabeira Unger. Voltando de lá mais à esquerda do que foi, estaria inventando divisões que aqui não existiriam. Reinaldo não é um jornalista sofisticado para escrever isso, mas o que disse, no meio de sua pouca cultura, queria transmitir essa idéia.

Mas quando ouvimos o que um Boris Casoy diz por detrás das câmeras, não temos como não admitir que Ciro está certo: existe uma “elite branca” no Brasil que sente profundo desprezo para com tudo que é do âmbito popular. Pode ser que vários membros dessa “elite branca” não sejam tão cruéis quanto Casoy. Pode ser, mesmo, que vários dos ricos que estão nessa “elite branca” se sintam desconfortáveis, perante os preceitos cristãos de humildade que dizem adotar, quando escutam isso que ouvimos de Boris Casoy. Todavia, o que Casoy falou é o que se pode ouvir, entre um uísque e outro, nas festas antes organizadas pelo empresariado que amava da Ditadura Militar, e que hoje é feita para angariar fundos para o PSDB, o partido que havia nascido com o propósito de não ser a direita política, mas que, agora, assume esse papel.

Não quero de modo algum, com esse artigo, provocar aqueles que, sempre pensando só de modo dual, logo dirão: “ah, mas a esquerda é blá, blá, blá”. Sou um homem de esquerda. Minha condição de filósofo me dá alguns instrumentos para analisar de onde venho. Podem ficar tranqüilos. Aliás, sou uma pessoa que adora a frase de Fernando Henrique Cardoso, quando ele disse, se referindo a ele mesmo por conta de acreditar que sua política econômica, ela própria, já era política social: “não é necessário ser burro para ser de esquerda”. Mas aqui, não quero falar da esquerda. Quero mostrar que gente como Boris Casoy não caiu no Brasil vindo de Plutão. Muito menos estudou na Europa. Gente como Boris Casoy estava no Mackenzie, fazendo curso superior, mais ou menos no tempo em que Lula deveria estar vendendo limão na rua. Isso não transforma o Lula em um bom homem e o Boris em um perverso. Mas isso dá, claramente, razão a Ci ro Gomes: há sim uma “elite branca” que não respeita garis, que não os acham gente, e que transferem esse ódio ao Lula, principalmente quando olham para ele e o vêem sendo abraçado por um Sarkozi, na capa do Le Monde .

Sarkozi é o presidente da França. E não é de esquerda. Eis então que toda a direita no Brasil comemorou sua eleição. Todavia, Sarkozi aparece abraçado com Lula, sem o preconceito de classe que vários dos próprios brasileiros ainda possuem contra Lula, então, esse fato Lula-Sarkozi, deixa essa “elite branca” despeitada. Ela se pergunta, raivosa: “por que não FHC ou Serra?” Por que aquele “analfabeto”, por que ele, aquele … “gari”? Sim, a fala de Boris é o equivalente dessas frases que eram, até pouco tempo, restritas aos círculos da Ana Maria Braga, Regina Duarte, José Neumanne Pinto e Danusa Leão. Foram esses círculos que fingiram se espantar com o relato de César Benjamim, sobre Lula na prisão. (a história de que Lula teria tentado comer um garoto lá). Fingiram, sim, pois já haviam escutado isso em festinhas e riam disso, tratavam de fazer correr a fofoca, sendo ela verdadeira ou não.

Caso queiramos melhorar o Brasil, vamos ter de ver que os brasileiros – muitos – pensam como Boris Casoy. E atenção nisso: não vamos culpá-lo pelos seus cabelos brancos não! Mainardi, na Globo, ainda não tem cabelos brancos e pensa a mesma coisa. Na Band, vocês já viram o tipo de preconceito de classe contra pobres que aparece no CQC? Já viram o menino Danilo Gentili insultando os pobres, jogando comida para eles? Não? Pois saibam que isso ocorreu sim! Esse tipo de humor é necessário?

Estamos há duas décadas da “piada” de Chico Anísio contra Lula, dizendo que se Marisa fosse a primeira dama e fosse morar no Planalto, ficaria esgotada ao ver quantas janelas de vidro teria de limpar. Naquela época, a Globo fez Chico Anísio pedir desculpas em artigo na imprensa. E ele pediu! De lá para cá, o que mudou na TV brasileira? Ora, o vídeo de Boris Casoy nos diz que pouca coisa mudou. Que ainda precisamos de muito para evoluirmos. Temos uma longa caminhada pela frente no sentido de educar aquele brasileiro que não consegue entender que o dia que um lixeiro parar, ele, o rico, vai ver todas as moscas botarem ovos no seu ânus, e quando ele acordar, ele terá sido devorado em vida pelos vermes. Estamos ainda precisando de uma forte pedagogia que entre nas escolas de modo a evitar que os brasileiros do futuro sejam os Casoys da vida.

As pessoas podem ser de direita, isso não deveria implicar em perder a capacidade de ver na condição social de concidadãos algo que não os desmerece (o bom exemplo não é, enfim, o próprio Sarkozi?). No Brasil, no entanto, a direita política não consegue apresentar um comportamento de brasileiros que gostaríamos que todos nós fôssemos, ou seja, pessoas capazes de ver em cada outro que lhe presta um serviço um homem digno.

Fonte: Blog do Ghiraldelli Jr

Para quem não assistiu a demonstração preconceituosa do referido jornalista, eis aqui a prova:

O dia que a Rede Globo calou

Qualquer pessoa lúcida e que tenha o mínimo de senso crítico, sabe que hoje a 4ª maior emissora televisiva do mundo se utilizou de meios nada democráticos para obter o poderio que hoje detêm. A mesma emissora que apoiava o regime militar de outrora, apoiava também o possível primeiro presidente civíl do Brasil (Tancredo Neves), também foi a mesma que ao manipular o debate presidencial de 1989, elegeu o então presidente-fracasso Fernando Collor de Mello.

Com o sucesso das novelas produzidas e com um jornalismo que ao invés de mostrar o caos vivido pela população, com mega índices inflacionários, poupanças confiscadas, entre outras mazelas, mostrava notícias menos impactantes,  parecia que o Brasil mostrado na Globo era um Brasil diferente, forjado a partir da apresentação de padrões de vida exigidos pela novela e de publicidades que apenas 20 % da população poderia comprar, lembrando que na época (década de 80-90), mais de 20% da população adulta era analfabeta plena ou funcional.

Assim foi a história da Rede Globo, que eliminou emissoras menores, elegeu presidentes, apoiou ditadores, omitiu notícias, desinformou a população e baniu completamente todos que eram contra o “regime global”, dentre esses, uma pessoa se destacou, o então Governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (1922-2004).

A Rede Globo, dentre as inúmeras ações anti-democráticas,  fez pressão contra Brizola quando este postulava o cargo de Ministro da Fazenda de João Goulart e apoiou o exílio do mesmo. Em 1982, Roberto Marinho foi acusado de participar do caso PROCONSULT, que visava impedir a vitória de Brizola na eleição para governador de 1982.

Em resposta ao boicote promovido pela Globo, o então Governador Brizola, cancelou a exclusividade de transmissão do carnaval do Rio de Janeiro (principal produto da emissora) em 1984, quebrando o monopólio, concedendendo também o direito de transmissão para a extinta Rede Manchete.

Em 1989, Brizola liderava as pesquisas eleitorais para presidente, no entanto, devido a intensa veiculação de denúncias e acusações em rede nacional, sua popularidade caiu e Collor subiu absurdamente ao topo das pesquisas, cabe lembrar que Collor era o candidato da Globo. Não deu outra e o final dessa história vocês sabem.

Em 1992, Roberto Marinho, em  editorial publicado no jornal O Globo e no noticiário Jornal Nacional, chamou Brizola de “senil“. Durante dois anos, Brizola brigou pelo direito de resposta na Justiça Federal, que só foi lhe consedido em 1994. Pela primeira vez, a maior emissora do país foi obrigada a proferir palavras contra si própria, palavras que muitos brasileiros gostariam de dizer sem serem censurados, enfim, foi o dia em que a Globo calou.

Abaixo segue, na íntegra, o discurso de Leonel Brizola lido em rede nacional.

Nota de resposta:

“Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.
Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si. Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso País. Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio. É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval. Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca. Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me. E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. E isto é o que não perdoarão nunca.
Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa. Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção. Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder. Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo. Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.
Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível. Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo. Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos”.
Leonel Brizola
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Saiba mais:
Veja o vídeo completo da leitura do direito de resposta por Cid Moreira ao vivo no Jornal Nacional aqui.
Veja os documentos e os processos do episódio aqui.
Sobre a trajetória política de Leonel Brizola aqui.
Assista o documentário “Além do Cidadão Kane”, produzido pelo Channel 4 da Inglaterra e que mostra como o poderio da Globo foi construído e os métodos nada ortodoxos utilizados pela mesma para se tornar a 1ªmaior emissora do país e a 4ª maior do mundo. Documentário dividido em 4 partes, para ver clique aqui.

Marx, Obama e a Crise Atual do Capitalismo


"Tio Sam" demonstrando gestualmente a situação da economia mundial.

“O tempo foi passando, passando, a situação do mundo complicando-se cada vez mais, e a esquerda, impávida, continuava a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes haviam sido distribuídos. Eu, que entretanto tinha feito outra descoberta, a de que Marx nunca havia tido tanta razão como hoje, imaginei, quando há um ano rebentou a burla cancerosa das hipotecas nos Estados Unidos, que a esquerda, onde quer que estivesse, se ainda era viva, iria abrir enfim a boca para dizer o que pensava do caso. Já tenho a explicação: a esquerda não pensa, não age, não arrisca um passo. Passou-se o que se passou depois, até hoje, e a esquerda, cobardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo. Por isso não se estranhe a insolente pergunta do título: “Onde está a esquerda?” Não dou alvíssaras, já paguei demasiado caras as minhas ilusões”. (José Saramago).

Inicio este post com esse trecho de Saramago, publicado recentemente em seu blog “Cadernos de Saramago” para mostrar o posicionamento  crítico que a “esquerda” internacional deveria ter perante essa crise do capital. Concordo com as palavras de Saramago, “a esquerda não pensa, não age e nem arrisca um passo”.

Para início de conversa gostaria de explicar de forma didática o que seria essa tal crise, que recebe a cada dia uma maior corbertura da imprensa internacional e deixa o mundo aflito devido ao caos instaurado e a sensação de incerteza. Acompanhem:

“Imaginem que eu venda pinga em uma badalada praia de determinado local fictício e vejo que vender esse produto seja um bom negócio. Em pouco tempo começo a vender para os bêbados que aparecem na praia essa mesma pinga à prazo, desse modo eu aumento o número de clientes e consequentemente o faturamento.

Como todo capitalista feroz que sou, essa possibilidade de enriquecimento cresce aos meus olhos e decido transformar essa quantia à receber (lembrem-se que vendi à prazo) em ações nas bolsas de valores.

Depois de vendidas, essas ações circulam pelo mercado financeiro e a especulação acaba chamando a atenção de outros clientes (mais gananciosos do que eu) ao redor do mundo, no entanto, há um pequeno detalhe…aqueles bêbados (pobres em sua maioria) lá da praia que compraram pinga à prazo não conseguiram honrar seus compromissos de pagarem as dívidas e deram um belo calote, gerando um imenso efeito dominó.

Resultado: muitos que investiram nesse mercado promissor saem sem nada e todo investimento feito não ganha liquidez, quem saiu ganhando foram os especuladores.” No caso dos EUA, o setor que desencadeou a crise foi o imobiliário.

caricatura de Benjamin Franklin em gesto de desepero com a queda das bolsas.

caricatura de Benjamin Franklin em gesto de desepero com a queda nas bolsas.

Essa minha tentativa de explicar o inexplicável serve apenas para mostrar o quanto o sistema capitalista é frágil, basta uma pequena trepidação para desmontar toda a estrutura do mesmo. De certo modo essa situação só mostra que a sociedade capitalista hoje instaurada, não é definitiva, ou seja, o capitalismo não é um sistema perfeito como muitos neo-liberais afirmaram durante o século XX, pelo contrário, trata-se de um sistema frágil, que pela segunda vez está à beira do colapso (como na crise de 1929).

Hoje, no 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista, a obra e o pensamento de Marx estão vindo à tona, haja vista que o mesmo 150 anos antes dessa atual crise, já havia mostrado sobre a instabilidade da economia capitalista, agrava pela ultra-rápida globalização do livre-mercado, que permite que uma quantia exorbitante de dinhero saia de um país e apareça em outro.

Segundo Hobsbawn “a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente  baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.”, ou seja, parece que finalmente até os capitalistas neo-liberais estão dizendo: “sim, ele tinha toda a razão” ao verem seus patrimônios se esvaindo nos ponteiros de Wall Street.

Um outra coisa que sempre me pergunto, vendo toda essa situação: Quem vai pagar a conta? Ora, somos nós. Felizmente o Brasil está aparentemente preparado, pelo menos é isso que o Goveno Lula diz, mas a população já sente de leve os efeitos da crise. Exemplo: obter financiamentos com juros abaixo de 1,5% só em sonho, obter 100% de financiamento em carro zero, só para quem tem excelentes condições e muito dinheiro em caixa para pagar. A diminuição do crédito também será visível em breve, pois mesmo que a crise não afete diretamente o consumidor final, o clima de desconfiança é grande e pode ser bem mais desastroso que qualquer alta de juros ou queda no valor das bolsas.

Para concluir, fazendo um paralelo com as eleições presidenciais nos EUA, parece que Bush veio acumulando erros desde 2006 sem interesse em corrigí-los a tempo, deixando até o seu candidato a sucessão em maus lençóis.  O grande beneficiado sem dúvida é Obama, que ao mostrar postura menos conservado diante da crise e ao lado dos “menos favorecidos, dos cidadãos americanos” que provávelmente herdará um bela recessão ano que vem, no 80° aniversário da crise de 1929.

Saiba mais:

Entrevista completa com Eric Hobsbawn aqui.

Entenda a crise aqui.