Belo Monte: o “belo” monstro venceu

Finalmente o Governo Federal conseguiu burlar suas próprias leis e aprovar o inicio das obras da Usina de Belo Monte, que deve barrar o curso original do rio Xingu, afetando povos indígenas, principalmente os Arara da Volta Grande do Xingu. Além do impacto ambiental, a obra deve gerar um grande passivo social, assim como aconteceu em Tucuruí (PA).

 

Na prática a operação da Usina de Belo Monte não produzirá tanta energia assim (apenas 4.419 MW dos 11.233 MW iniciais), mas deve beneficiar grandes construtoras como a Camargo Corrêa, que da década de 70 até hoje ainda tem canteiro de obras na Usina de Tucuruí, consequentemente muitos políticos devem se beneficiar dessa importante fatia do PIB brasileiro (leia-se Edison Lobão, Clã dos Sarneys e companhia).

 

 

Divisão Territorial do Pará: Divisão de Mazelas ou de Riquezas?

Pense comigo caro leitor: a quem interessa dividir o Pará em três pedaços? Aos políticos! O povo sempre foi alheio a essa questão, já que essa divisão foi pouco discutida nas esferas sociais (a exemplo de Belo Monte, que teve uma pífia discussão o que não impediu o prosseguimento no projeto). A divisão do Pará interessa aos políticos, pois eles estão preocupados com seus bolsos, pois com a criação de novos Estados será necessário criar mais duas vagas de governador, pelo menos duas vagas no senado, vagas na câmara federal, sem falar na criação de mais duas assembléias legislativas. Imagine o impacto financeiro em termos de cargos públicos, apadrinhados políticos, verbas de gabinete e outras verbas advindas do Governo Federal, principalmente as que costumam se “garfadas” como saúde e educação.

A partilha dividirá a biodiversidade e a riqueza mineral que há no Estado, no entanto, a pobreza e as mazelas sociais irão continuar, já que essa é a parte podre do pacote separatista. Cabe ressaltar que o atual Governo do Estado contribuiu para aumentar a vontade da classe política em dividir o Pará, por conta da péssima interiorização dos serviços prestados, do aumento no desmatamento e da ineficiência em reintegrar propriedades ocupadas e promover a reforma agrária em áreas de latifúndio improdutivo. Cabe lembrar que o próprio vice-governador é um separatista convicto (Odair Corrêa coordenou por 22 anos o comitê Pró-Estado do Tapajós).

O deputado Giovanni Queiroz (PDT/PA) é um dos líderes do retalhamento, segundo o próprio, em matéria publicada no site criado para apoiar a criação do Estado do Carajás, as motivações são na sua maioria econômicas e eleitoreiras (qualquer leitor com um pouco de discernimento e pensamento crítico vai perceber que não há nenhuma referência ao povo que habita aquela região, só se fala em empresários, pecuaristas e políticos). Os principais apoiadores desse recorte são empresários, em Santarém a Associação Comercial figura como principal apoio.

O principal apoio que os separatistas poderiam obter seria da imprensa paraense, no entanto, os dois principais jornais em circulação aparentemente defendem a manutenção do Estado do Pará na sua configuração atual. O jornal Diário do Pará pertencente ao grupo político de Jader Barbalho criou a campanha “Orgulho de ser do Pará” e que mostra as riquezas culturais do Estado e o orgulho da população em ser paraense, já o Jornal O Liberal e a TV Liberal (O grupo ORM) criou uma campanha aos moldes do Diário chamada “Pará, eu te quero grande” na qual há um abaixo assinado e ao final da página podemos ver que a ACP (Associação Comercial do Pará) apóia o movimento, ao contrário de sua filial em Santarém. Para os separatistas a falta de apoio dos meios de comunicação vai pesar.

Ao que tudo indica ocorrerá um plebiscito e a população irá decidir mesmo com pouca informação a respeito e sem saber se realmente o projeto é bom ou ruim, isso só o tempo e o jogo político irá dizer. Vencerá quem tiver o melhor lobby (agronegócio/mineradoras/madeireiras).

Dividir a “quadrilha” de políticos fisiologistas que assalta o Pará diariamente em três facções é bem mais lucrativo e ajudará a manter o ciclo de pobreza que move a roda da política paraense.

Mais informações:

Sites alusivos ao Estado do Carajás e ao Estado do Tapajós

Campanha da ORM “Pará, eu te quero grande”.

Campanha do Diário do Pará “Orgulho de ser Paraense”.