ALEPA: A Musa da Mamata (via Carta Capital)

Por Leandro Fortes 12 de maio de 2011 às 12:34h


Por 16 anos, entre 1995 e 2011, Mônica Alexandra da Costa Pinto arrancou suspiros pelos corredores da Assembleia Legislativa do Pará. Alta, morena, de longos cabelos lisos e corpo sempre em forma, tinha 28 anos quando foi contratada para cuidar da emissão dos contracheques dos servidores. Mas em fevereiro deste ano, a funcionária, hoje com 44 anos, revelou-se outro tipo de musa. Abandonada pelos antigos chefes e por um namorado parlamentar decidiu ir ao Ministério Público revelar detalhes de um dos maiores esquemas de corrupção registrados recentemente no País. Um esquema criminoso que, entre 2003 e 2010, pode ter desviado mais de 80 milhões de reais do Legislativo paraense.

Pelo menos R$ 300 milhões foram desviados de 1995 a 2009 na Alepa

De Monica Lewinsky, que mantinha uma relação com a pélvis do ex-presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, a Mônica Veloso, ex-amante do senador Renan Calheiros, não foram poucos os exemplos de mulheres abandonadas que foram à forra contra seus antigos protetores. Poucas possuíam, no entanto, um arquivo de informações tão formidáveis como a dessa nova Mônica, que atualmente monopoliza as atenções da Justiça, da imprensa e da polícia do Pará. Por sete anos, ela foi a principal operadora de um esquema de fraudes da folha de pagamento da Assembleia. Os desvios são estimados em 1 milhão de reais por mês e, segundo ela, beneficiavam ao menos dois ex-presidentes da casa: o ex-deputado Domingos Juvenil, do PMDB, e o atual- senador Mário Couto, do PSDB.

Couto, um dos mais importantes aliados do atual governador do Pará, Simão Jatene, foi presidente da Assembleia Legislativa entre 2003 e 2007, justamente quando se estabeleceu a quadrilha especializada em alterar contracheques, fazer compras superfaturadas, fraudar licitações e assombrar o Legislativo paraense com funcionários fantasmas e servidores “laranjas”. Foi sucedido por Juvenil, que tornou o esquema ainda mais agressivo, mas perdeu o controle da situação e cometeu o grave erro de tentar substituir Mônica Pinto por um afilhado, no início do ano passado.


Fonte: Carta Capital

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“Fantasmas” da ALEPA: palco de falcatruas e corrupção

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual em trabalho conjunto estão desbaratando uma verdadeira quadrilha de colarinho branco que atuava (ou atua) na Alepa (Assembleia Legislativa do Estado do Pará). Trata-se de um esquema comum e antigo nas casas legislativas do Brasil que tem como ponto de partida funcionários e estagiários fantasmas.

Os funcionários fantasmas são “funcionários” admitidos legalmente, possuem CPF, RG, endereço físico e recebem o salário em dia. A quadrilha age nomeando “laranjas” (a maioria nem sabe que estão recebendo tais provimentos) e parte ou todo salário é desviado para os bolsos dos “operadores” e políticos envolvidos.

No caso da ALEPA, a base governista tentou atribuir o escândalo ao banco (no caso, o Banpará) e a uma funcionaria não concursada. Uma CPI foi sugerida pela oposição (PT e PSOL), no entanto, em uma manobra para “abafar” o caso o que era para ser CPI virou uma simples sindicância instaurada.

Após a operação “abafa” novos fatos foram revelados pela funcionária operadora do esquema, que culminaram com a apreenção de R$ 500 mil em dinheiro vivo e R$ 40 mil em tickets alimentação na casa do ex-atacante Robson Lima Nascimento, conhecido como Robgol que supostamente estaria envolvido na gatunagem. Além do ex-deputado, outros “peixes” grandes da política podem estar envolvidos e só uma CPI poderia aprofundar a investigação…aí que está o problema.

Pizza no forno…

Dificilmente a CPI será aprovada, apesar de necessária, pois a maioria dos deputados tem “rabo preso” e uma investigação aprofundada poderia expor medalhões da política paraense. O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) está lutando para colher assinaturas e instaurar a comissão para dar uma satisfação para o povo paraense e limpar o nome dos funcionários honestos que estão sendo taxados de “ladrões” e “bandidos” por conta da corrupção de um pequeno grupo de pessoas de má fé e desonestas que contribuem para o atraso do Pará.

"Em breve teremos pizza!" - Pioneiro

PS.: A cobertura dos “principais” jornais do Pará está sendo sofrível, apesar do fato ser grave. Pouca coisa é divulgada e há uma tentativa clara de esvaziamento do tema, principalmente por parte do Diário do Pará*, já que o último presidente da casa era do PMDB e a falcatrua foi descoberta na gestão do mesmo. O jornal Liberal** sugue o mesmo caminho e reproduz uma cobertura pobre e sem profusão. Fica claro que se dependermos dos dois jornais de grande circulação do estado para obter informação  ficaremos cada vez mais desinformados.

Mais informações aqui.

* Jornal dos Clã dos Barbalhos que mais desinforma do que informa. O ponto alto do mesmo é o jornalismo “marrom” sensacionalista, excesso de publicidade e reproduções de conteúdo da Folha, Estadão, Jornal do Brasil, etc. O jornal custa R$ 1 nos dias de semana e R$ 2 aos domingos: “uma boa alternativa para uso como papel de embrulho de peixes, hortaliças e como forro para a casinha de cachorro (…)”.

** Jornal dos Maiorana, conhecido como tabloide elitista com predominio de publicidade em causa própria, barrigas jornalisticas frequentes e propaganda enganosa (diz ser o jornal mais lido do Norte, o que é pura “potoca”, segundo o IVC).