FLIP: Festa Estranha com Gente Esquisita…


Utilizando o trecho da célebre música de Renato Russo que inicio esse post especial sobre a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), que terminou no domingo (10) e contou em 2011 com a presença de alguns autores nacionais e muitos autores internacionais. Afinal, qual o sentido de fazer uma “festa” para promover autores de fora na maioria e de determinados grupos editoriais? Qual a contribuição da FLIP para a formação de um público leitor em um país de muitos iletrados?

O fato é que o mercado editorial brasileiro é formado por grandes editoras internacionais e poucas nacionais que visam determinados públicos e a publicação de alguns poucos autores, ou seja, pouca inovação é vista e o que sai é sempre mais do mesmo… Livro de autoajuda, livros que mais parecem (ou são) roteiros de Hollywood e que não exigem muito esforço cognitivo do leitor. São livros encomendados e feitos para vender.

Com exceção de alguns autores brasileiros (Antônio Candido, Miguel Nicolelis e João Ubaldo Ribeiro, que criticou e boicotou a Flip em 2004 por reduzir seu espaço de divulgação em detrimento de autores estrangeiros), os demais são grandes desconhecidos aqui no Brasil, alguns conhecidos apenas pelas adaptações cinematográficas, como James Ellroy (autor de livros que viraram filme como “Los Angeles: cidade proibida” e “Dália Negra”). Os debates poderiam que rolaram lá poderiam muito bem se tratados em congressos ou mesmo em programas como o Café Filosófico (TV Cultura), seria bem mais acessível e menos proibitivo que os R$ 40 por mesa!

O Brasil precisa criar condições para o surgimento de novos e bons autores, algo cada vez mais raro no atual cenário. Em um futuro próximo seremos “obrigados” a ler autores de fora, best-sellers encomendados a prazo e livros de autoajuda sob medida e cada vez menos autores nacionais. Estamos caminhando para um completo esvaziamento da literatura nacional e as Flips contribuem para isso, além de não conseguir formar um único leitor.

Vamos repensar a Flip? Tem dinheiro público lá e é dever nosso questionar o que é do nosso interesse.

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