A Matança na Floresta


Na Amazônia, a prática da pistolagem é profissão reconhecida, assim como nos velhos filmes de western americanos. Na região onde José Cláudio e sua esposa foram assassinados, os pistoleiros agem livres, sem serem incomodados pela polícia, que faz vista grossa e não consegue garantir a integridade física de quem vive na e da floresta.

Dizem que o Pará é um Estado sem lei, algo que discordo veementemente, pois o Pará é na realidade um Estado de uma única lei: a lei do silêncio. É a lei que silencia quem decide denunciar a derrubada da floresta, a mesma lei que protege os mandantes e que cala a boca do “estado democrático de direito”, letra morta na terra de uma lei só.

As balas que mataram José Claudio, Dorothy Stang, os 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, Chico Mendes e tantos outros que optaram lutar pela terra e que já morreram (ou devem morrer em breve), tinham endereço certo e não saíram de graça. A bala que mata na Amazônia tem um preço, preço bancado pelos “consórcios da morte”, compostos por madeireiros ilegais, fazendeiros, grileiros e bandidos que se unem para calar as vozes de protesto que emanam da floresta.

Infelizmente, o Estado é conivente e coautor da violência promovida no campo, já que pouco ou nada faz para alterar o cenário nas regiões mais inóspitas e isoladas da floresta amazônica. No meio da Amazônia não existe estado, existe o velho oeste, onde manda quem tem poder, obedece quem não quer levar tiro.

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