Ativista Anti-desmatamento é assassinado na Amazônia (via Al Jazeera)


“Polícia brasileira afirma que ativista foi morto por denunciar madeireiros ilegais”.

Por Gabriel Elizondo

Um ativista ambiental da Amazônia e sua esposa foram mortos na noite de segunda-feira e o crime está sendo tratado como um possível assassinato para silenciar o defensor da floresta, segundo a polícia.

José Claudio Ribeiro da Silva, também conhecido pelo apelido de “Zé Cláudio”, foi baleado e morto juntamente com sua esposa, Maria do Espírito Santo da Silva, em Nova Ipixuna, uma cidade rural de 15.000 pessoas no sudeste do Pará, cerca de 40 km da cidade mais próxima, Marabá.

Os detalhes exatos e as circunstâncias da morte ainda não são claros. No entanto, Felício Pontes, Procurador Federal no Estado do Pará, assim como Marcos Augusto Cruz, o investigador de Polícia Civil local, disse à Al Jazeera por telefone na noite de terça-feira que o assassinato tem todos os sinais de um assassinato de aluguel a sangue-frio.

“Estamos trabalhando em uma hipótese de que essa foi uma execução, porque um dos atiradores cortou a orelha de cada uma das vítimas”, disse Marcos Cruz à Al Jazeera.

“Normalmente isso é feito como prova a quem ordenou os assassinatos,” Cruz disse à Al Jazeera, antes de acrescentar que era provável que o ambientalista foi morto em retaliação por denunciar madeireiros ilegais.

Ribeiro foi um líder comunitário de uma reserva da Amazônia rural sustentável, que produz nozes e óleos naturais nativos da floresta.

Mas, como os madeireiros ocuparam terras da reserva, Ribeiro aumentou suas denúncias contra a derrubada ilegal de árvores na região, o que lhe rendeu elogios de ambientalistas, mas supostamente desprezo madeireiros e empresas que possuem uma enorme influência na região fortemente desmatada.

As ameaças de morte

Ribeiro recebeu muitas ameaças de morte.

Ele disse em uma audiência da cúpula TED em Novembro do ano passado que antes da mudança dos madeireiros, a região onde ele morava possuía 85 por cento da vegetação nativa da Amazônia.

“Hoje, com a chegada de madeireiros … há apenas 20 por cento da floresta nativa (…)”, Ribeiro disse que no encontro do TED. “É um desastre para pessoas como eu que vivem da floresta”.

“Protejo a floresta do jeito que posso. É por isso que eu vivo com uma bala na cabeça o tempo todo, não posso ficar sentado, esperar e denunciar madeireiros e carvoeiros… e é por isso que eles acham que eu não devia existir.”

Em outra entrevista em vídeo postada no YouTube em novembro do ano passado, Ribeiro parece fora da câmera e diz ao entrevistador: “. Tenho recebido ameaças de morte por parte de empresários que trabalham com os madeireiros, que não querem a floresta de pé”

A notícia da morte de Ribeiro e sua esposa vieram no mesmo dia em que o Congresso Brasileiro debatia um conjunto de novas leis controversas chamado “Código Florestal”, que, segundo ambientalistas, pode ser prejudicial para a Amazônia, reduzindo a quantidade de terra preservadas.

No momento da escrita (da matéria), a lei ainda estava sendo debatida no Congresso.

No Brasil, a morte de José Ribeiro foi rapidamente comparada com a de Dorothy Stang, a irmã católica americana, que foi brutalmente morta a tiros – também em uma área rural do Estado do Pará – por dois homens depois de defender a preservação da Amazônia, o que irritou madeireiros locais. (Quatro homens no total foram a julgamento por assassinato e estão cumprindo prisão).

Para os ambientalistas, as áreas rurais do Estado do Pará são conhecidas como a “terra sem lei”, por causa de sua reputação como um lugar onde os madeireiros poderosos podem se vingar de qualquer um que ouse cruzar com eles.

Estado de impunidade

“O Estado do Pará é um lugar de bastante impunidade, há mais de 400 casos de assassinatos sem solução envolvendo pessoas em áreas rurais”, disse Felício Pontes à Al Jazeera.

A Presidente Dilma Rousseff teria ordenado a Polícia Federal que supervisionasse a investigação nesta terça-feira.

Embora os detalhes do assassinato ainda sejam desconhecidos, mais detalhes começaram a surgir.

A sobrinha de José Ribeiro, Clara Santos, disse à Al Jazeera por telefone: “Ele saiu (segunda-feira à noite) de casa para ir a Marabá em sua motocicleta com Maria e cerca de 8 quilômetros da casa havia outros homens em motocicletas com os rostos encapuzados, esperando por eles. Os homens atingiram primeiro Maria. Ela caiu da moto e logo depois atiraram nele. ”

A irmã de Ribeiro, Claudelice Silva dos Santos, disse à Al Jazeera nesta terça-feira que sua família está arrasada.

“Eles praticamente destruíram a nossa família”, segundo Santos. “Nós queremos justiça. Queremos que o povo que ordenou esta morte, bem como os atiradores sejam levados à justiça. Não queremos que isso termine em impunidade. Nós não queremos que ele seja apenas mais um ambientalista morto. ”

Apesar das ameaças, José Ribeiro nunca pediu proteção ao Estado.

Ribeiro deixa dois filhos de um casamento anterior, e um filho adotivo, de 16 anos.

O velório dos ativistas mortos foi hoje, em Marabá, Brasil.

Fonte do texto original: Anti-logging activist murdered in Amazon.

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