12 inocentes mortos, 190 milhões de feridos: segurança nas escolas, armas e cobertura da imprensa


O massacre na escola carioca Tasso da Silveira do realengo que vitimou 12 crianças chocou o Brasil e fez surgir debates sobre a segurança nas escolas, a facilidade de acesso a armas de fogo e a cobertura dos fatos pela imprensa. Algumas lições devem ser tiradas desse triste e marcante acontecimento.

 

A violência cometida pelo criminoso foi sem precedentes e gratuita. As crianças estavam tentando construir um futuro melhor na escola e uma pessoa doente decide invadir e sem dar chance alguma, tira a vida de inocentes. Fatos como esse eram comuns fora do país e em países desenvolvidos, mas agora essa triste realidade chegou ao nosso país e espero que não se repita.

 

Segurança nas escolas

 

Transformar a escola em um bunker não vai deixar alunos e professores mais seguros, portanto, qualquer medida de blindar a escola não é eficaz e corre-se o risco de descaracterizar o espaço escolar, que deve ser um espaço aberto à comunidade. Qualquer pessoa pode adentrar uma escola pública do país, o que é bom para a sociedade, no entanto, a escola fica vulnerável a ação de traficantes que se infiltram na escola, pedófilos, aliciadores etc…O que fazer então? Esse é um debate que deve ser enriquecido e tratado com cautela, não só pela imprensa, mas por todo a sociedade.

 

Armas: como é fácil conseguir uma

 

Obter uma arma legalmente para defesa própria não é fácil, em contrapartida, obter uma arma ilegalmente é muito fácil, basta ter dinheiro. Pergunte a qualquer segurança ou policial onde é possível encontrar armas e você logo terá um fornecedor. Com R$ 300 é possível comprar um revólver calibre 38, por R$ 1000 você pode comprar uma ponto 40 (arma exclusiva das forças armadas) e por muito menos bandidos “alugam” armas para cometer delitos (em Belém isso é comum), fica claro então que conseguir um “fornecedor” é fácil e a impunidade incentiva o crime.

Crimes como o cometido na escola do realengo são raros, grande parte dos homicídios são cometidos por motivos banais (brigas, crimes passionais, discussões de trânsito etc.) e por pessoas sem passagem pela polícia, enquanto que latrocínios são minoria nas estatísticas. Espera-se que esse fato não vire motivo para novos massacres, pois sociopatas (ou psicopatas) dispostos estão entre nós (quantos atentados ocorreram após o massacre na escola americana de Columbine…). O governo deveria criar medidas de controle ao acesso aos armamentos enrijecendo a pena para posse e porte ilegal, já que mais de 60% da população aceitou via referendo manter o comércio de armas no Brasil.

 

 

 

Imprensa: cobertura sofrível


A cobertura de parte da imprensa não poderia ser diferente, sensacionalista e sofrível demais, chegando ao ponto de uma emissora (TV Record) exibir um vídeo de celular sem nenhuma edição mostrando uma criança baleada agonizando. As especulações sobre a motivação do crime foram verdadeiros “chutes”, listo alguns: “o atirador tinha simpatia pelo islamismo”, “(…) era virgem e portador do HIV”, “o assassino queria matar apenas meninas por julgá-las impuras”, “o assassino era esquizofrênico”, “o assassino foi vítima de bullying”, “a motivação foi religiosa e o assassino era Testemunha de Jeová”, dentre outros absurdos não checados, além da falta de isenção na cobertura dos fatos (pra ser jornalista tem que ter sangue frio). O circo de horrores estava montado e vai render por muitas semanas. A única cobertura razoável do massacre foi a da TV Cultura de São Paulo. O restante da imprensa que adora uma tragédia agradece.

 

O Brasil está de luto.

 

 

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