A Queda do Edifício na 3 de Maio + Cidade Enclausurada (via Jornal Pessoal)


A queda do edifício Real Class na rua 3 de maio (entre Magalhães Barata e Gov. José Malcher) foi um choque para a população de Belém. Como um prédio de mais de 30 andares cai por completo em plena área central da cidade e sem dar indícios de queda. Culpa da chuva? Culpa do vendo forte? Falha geológica? Ou a culpa é do  homem?

 

Ontem mesmo (29/1) estava lendo a edição de janeiro do Jornal Pessoal editado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, trata-se dum excelente periódico que já vem há muito tempo denunciando a construção de edifícios “monstruosos” na capital e a inércia do poder público, cabe ressaltar que Lúcio Flávio Pinto foi um dos únicos jornalistas a tratar verticalização como fato irreversível e danoso numa cidade com as características de Belém (cf. Os espigões de Concreto).

 

 

Na imagem acima o prédio Real Class quase concluído e abaixo o espaço vazio criado após a queda. Fonte:@belemtransito via @Sergio_Veludo

 

 

Compartilho abaixo o texto publicado em janeiro e que sirva de reflexão para aqueles que pensam a cidade o os que moram nela também.

 

“Alguma cidade brasileira está construindo mais prédios altos do que Belém, guardadas as devidas proporções demográficas? Não sei, mas duvido. Belém optou de vez por uma versão ainda mais medíocre do crescimento urbano vertical made in USA. A cidade já tem dois prédios de 40 andares e vários acima de 30. Outros do mesmo gabarito estão em obras. O perfil urbano definido por arranha-céus se acentua. O horizonte começa a desaparecer em alguns lugares. Por serem os mais valorizados, atraem novos edifícios monstruosos.

 

Qual a razão dessa proliferação de paliteiros de concreto pela cidade? Lógica, nenhuma. Só a busca do lucro maior, que se sustenta numa visão daninha das nossas elites e num gosto típico de classe média que enriquece, projetando sua sombra sobre todo o tecido social.

 

O padrão individualista e egoísmo se expande graças ao encolhimento do poder público, que vira uma extensão dos negócios imobiliários. Cada um por si e ninguém por todos. Vence o mais forte, o mais poderoso. Em todos os segmentos e setores da sociedade. Do miserável transporte público à construção civil inclemente. Belém ficou uma cidade hostil, árida, selvagem.

 

Diante dos desafios atuais, o mero saudosismo é uma forma de escapismo. Mas quando se pega uma foto da Belém do início do século XX e se olha para a cidade dos nossos dias, à parte os problemas humanos, muitos dos quais apenas se agravaram desde então, o que salta aos olhos é que antes tínhamos um céu, um horizonte, uma perspectiva que permitia furar a obtusidade da urbanidade equivocada e ver o rio e a floresta.

 

Essa cidade, cujo tropicalismo resistia à insensatez dos seus governantes, está sendo sepultada pelas tumbas camufladas de concreto dos nossos engenheiros.”

 

Fonte: PINTO, Lúcio Flávio. Jornal Pessoal: A agenda Amazônica de Lúcio Flávio Pinto. Belém. nº 480, ano 24 (Janeiro de 2011, 1ª quinzena).

PS.: Gostaria de parabenizar o Twitter colaborativo @belemtransito que teve uma contribuição fundamental para a divulgação das informações na web ajudando a mobilizar autoridades, moradores da região e opinião pública. o Twitter @belemtransito com a ajuda de colaboradores espalhados pela cidade presta um serviço de utilidade pública.

PS²: Até o momento as informações sobre vítimas  fatais estão sendo apuradas e equipes de resgate permanecem no local para realizar a remoção de escombros.

 

Saiba mais:

Twitter Belém Trânsito http://twitter.com/belemtransito

Jornal Pessoal http://www.lucioflaviopinto.com.br/

 

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