Belém do Pará: Impressões de um viajante (Parte I)


– Reproduzo uma parte do que recebi por um desses e-mails coletivos que o Gmail classifica como Spam. Não sei se o relato é fato ou ficção, mas diz algumas verdades indigestas…


“Depois de passar por algumas cidades do Brasil à trabalho resolvi conhecer a cidade intitulada ‘portal da Amazônia’ antes de visitar Manaus, passei por Belém e logo chegar ao aeroporto percebi que o atendimento é razoável, poucos falam inglês e muito menos francês (embora tenha a proximidade com a territórios franceses ultramarinos). Obter informações turísticas é complicado porque funcionários só falam português e ‘ameaçam’ um inglês fraco. O aeroporto fica longe da área central da cidade (do Hostel no qual iria me hospedar, que fica no bairro Nazaré), quase não há ônibus em direção ao centro, a alternativa foi pegar um táxi. No táxi, o taxista não fala inglês, mas não hesitou em cobrar 90 dólares até o centro (o que é um preço alto até para quem vive em NY). Chegando ao bairro Nazaré, já com mapa baixado do Google Maps para poder saber dos lugares da cidade, percebi que o local é muito escuro, apesar da área ser considerada área rica. As calçadas parecem ser planas e com guias para cegos e rampas para deficientes, no entanto, a quantidade de buracos e barreiras físicas impedem até pessoas sem necessidade de caminhar sem topar em um buraco.

Seguindo para o comércio no outro dia percebi que quase não há lixeiras ao longo das principais avenidas, como a Presidente Vargas, as poucas que tem estão lotadas de lixo e com muito lixo comercial ao lado (parece que os coletores não passam há dias). Não há telefones públicos em condições de uso. Muitos estão quebrados ou sujos e encontrar um que funcione é uma tarefa árdua. Resolvo visitar a Praça da República onde localizamos o “Theatro” da Paz, a praça está suja, o odor de urina é constante, a grama completamente destruída e o “Theatro” fechado para visita (o que foi frustrante). A quantidade de moradores de rua e pedintes surpreende, situação encontrada também na praça Valdemar Henrique (um importante maestro do estado do Pará), a praça é suja, há brinquedos, mas não há crianças, a concha acústica é ocupada por viciados em inalantes (que são pedintes também!). No outro lado da rua visitei a Estação das Docas, um local que parece ser requintado, há um cinema e vários restaurantes caros. A vista para a o rio é linda, o rio é poluído.

Visitei a maior feira da América Latina, achei interessante. Ela parece estar permanentemente suja e há uma variedade de frutas, ervas e souvenir O trânsito é caótico perto da “pedra”, onde se vende peixe in natura, além do odor de peixe podre e urubus que sobrevoam o complexo.

 

Há poucos ônibus na cidade, pelo menos é a impressão que tive, pois os pontos de ônibus estão sempre cheios e os ônibus sempre lotados. A passagem custa 1 dólar, mas poderia custar bem menos, já que os ônibus são desconfortáveis (nenhum possui ar-condicionado, apesar da cidade ser quente demais). O povo que mora nessa cidade sofre demais.

 

A cidade parece sofrer um abandono secular, segundo alguns colegas historiadores, as principais obras foram feitas no começo do século XX e o crescimento da cidade não foi acompanhado por obras de infra-estrutura, por isso o trânsito é semelhante ao de Bangladesh (vi poucos agentes organizando o trânsito).

 

Visitei a principal Universidade que fica no Guamá, um bairro pobre da cidade. A Universidade é grande, a biblioteca principal é do tamanho da menor biblioteca setorial da UCLA, a maioria dos livros é antigo, a estrutura proporciona o menor conforto possível. Visitei o NAEA (lá encontrei pesquisadores que falam inglês!), depois fui ao Museu Goeldi na Avenida Perimetral (onde encontrei a melhor infra-estrutura acadêmica da cidade).

 

A cidade possui uma longa orla que poderia ter uma avenida como a das cidades com litoral, no entanto, apenas portos improvisados, casebres (palafitas) e uma pequena faixa ocupada por pontos turísticos, como a Estação das Docas, a Casa das Onze Janelas (que possui exposições de arte, um dos poucos lugares), o Forte do Presépio (onde começou a cidade em 1616). O conjunto arquitetônico da área é muito belo e alguns prédios são conservados (Igreja da Sé e Santo Alexandre), porém me deparei com cenas tristes, como a de prédios centenários caindo aos pedaços, sem nenhuma manutenção, alguns com vegetação crescendo! Não entendo como uma cidade com tantas construções antigas sofra tanto abandono. Não há governantes na cidade ou eles são cegos?

 

 

Continua…

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s