Territórios de Paz em Belém: Terra Firme e Guamá são beneficiados
Os bairros ditos mais violentos e mais estigmatizados da capital irão receber as ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). “Território de Paz” é o nome do projeto que desembarca tanto no bairro do Guamá, quanto na Terra Firme. Os dois bairros sofrem com a falta de infra-estrutura básica (saneamento, pavimentação, iluminação, etc), além de concentrarem grande parte da população e também os principais grupos de distribuição de drogas da capital, drogas vindas pelo rio Guamá, portanto, não produzidas aqui (por ainda não dominarem essa tecnologia).
No bairro da Terra Firme, a violência foi visivelmente reduzida, não por conta do aumento do efetivo de policiais nas ruas (é possível ver rondas, mas apenas nas ruas principais do bairro), mas sim pelo mudança no modus operandi das duas quadrilhas que atuam no bairro. No momento existem duas facções (parcialmente organizadas), a localizada nas ruas Lauro Sodré e Ligação (obviamente no final de cada uma delas, onde poucos carros da PM podem passar e onde há quase nehuma infra-estrutura). A primeira aluga armas aos bandidos (algumas vindas de fora da capital e outras fornecidas por pessoas ligadas à Polícia Militar), comercializa entorpecentes em quantidade razoável, a segunda é bem maior em quantidade de drogas vendidas e termos de “soldados”, além de se intitular “mílicia”, ao contrário da primeira (que também é rival) é grande distribuidora de drogas derivadas da cocaína, inclusive é possível perceber a grande quantidade de carros (inclusive alguns importados e peliculados) que vão buscar droga. Os crimes menores, como roubo de bolsas, celulares (em geral crimes contra o patrimônio) foram reduzidos, pelo simples fato de serem os crimes que chamam atenção da polícia e provocam estardalhaço, o que prejudica o “comércio” da droga, em vista disso muitos ladrões-viciados (a maioria são viciados e não roubam para comer por exemplo) foram executados (o dito acerto de contas por dívida como dizem os jornais).
Em relação ao bairro do Guamá, não é possível desenhar uma “geografia do crime”, já que o bairro é um verdadeiro labirinto de ruas e de bocas de fumo, há muitos traficantes nanicos (cada viciado pode ser um micro-traficante), ou seja, o combate a esse tipo de “comércio” é bem mais complicado.
Acabar com o tráfico de drogas é utopia, mas reduzir os efeitos colaterais dessa “doença” que atinge as grandes cidades com “remédios” é a solução, com o objetivo de reduzir principalmente a participação de jovens nesse tipo de associação criminosa e tratando os já seduzidos pelas drogas como doentes. A questão é mais patológica que criminal. Leiam abaixo a notícia sobre a implantação do projeto “Território de Paz”do PRONASCI, publicado no jornal on-line Diário do Pará:
O Pará recebeu R$ 115 milhões do governo federal para investir em segurança pública, nos últimos dois anos. Nesta segunda-feira (19), mais um projeto do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) desembarca na capital paraense: o Território de Paz, que será implantado nos bairros do Guamá e da Terra Firme. “O Pronasci supera, com o Território de Paz, a antiga crença, e a mais conservadora, de que violência se soluciona a partir de mais repressão”, explicou o secretário-executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira. “Nós defendemos ações sociais de caráter preventivo. Esta é uma visão mais progressista da segurança pública”.
O Pronasci é o programa do governo federal, articulado pelo Ministério da Justiça, nas três esferas do poder Executivo (União, estados e municípios) para implementar, em conjunto, ações de segurança pública, preventivas e repressivas, a fim de enfrentar a criminalidade nas regiões metropolitanas das cidades mais violentas do país. Belém é a décima capital a receber o Território de Paz.
O Ministério da Justiça traz a Belém 24 projetos do Pronasci, que serão anunciados pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, nesta segunda-feira. Alguns deles funcionarão exclusivamente nos bairros do Guamá e da Terra Firme, bairros com alto índice de violência. São eles:
Policiamento comunitário
A interação constante entre a polícia e a comunidade é uma das prioridades do Pronasci para prevenir e conter a violência nas grandes cidades brasileiras. O grande diferencial deste modelo é o foco na prevenção. No Pará já foram capacitados 3.363 profissionais de segurança pública para atuar na mobilização social das lideranças comunitárias, visando garantir ao máximo a difusão do respeito à dignidade humana e aos princípios da democracia.
Postos de polícia comunitária
O Pronasci também investe na construção e estruturação de postos de polícia comunitária nas áreas com maior índice de criminalidade. Em Belém, duas bases de Polícia Comunitária serão construídas. Uma no bairro Guamá: Pass. Alvino, s/nº, esquina com Av. Castelo Branco e outra no bairro Terra Firme: Av. Perimetral, s/nº, em frente ao Portão IV da Universidade Federal do Pará (Betina Ferro).
Mulheres da Paz
O Pronasci seleciona mulheres que fazem parte da rede social e de parentesco do público-alvo do programa (jovens de 15 a 29 anos em situação de risco) e que possuem potencial de liderança. Chamadas de Mulheres da Paz, têm a missão de prevenir os conflitos locais e afastar os jovens da criminalidade, incentivando a participação deles nos projetos sociais do governo federal. Elas receberão um auxílio mensal de R$ 190. Em Belém, 500 mulheres serão selecionadas. O final do processo de seleção será em novembro.
Protejo – Proteção de Jovens em Território Vulnerável
O projeto é voltado a jovens de 15 a 24 anos, moradores de rua ou expostos à violência doméstica ou urbana. Tem como objetivo sensibilizá-los para uma participação social ativa, resgatando sua auto-estima e convivência pacífica nas comunidades em que vivem. Os jovens participarão do curso de formação cidadã, com 800 horas divididas em 12 meses, para atuar como multiplicadores da cultura de paz. Receberão, durante um ano, uma bolsa mensal de R$ 100. Os jovens também participarão de projetos educacionais, culturais e esportivos. Em Belém, 285 jovens já foram selecionados para o projeto e a formação terá início em novembro. Informações na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.
Geração Consciente
O projeto Geração Consciente tem como objetivo a capacitação de jovens para o exercício dos seus direitos enquanto consumidor e a manutenção da sua integridade. Esses jovens serão multiplicadores do que aprenderam junto à comunidade difundindo os direitos do consumidor e a educação para o consumo. Em Belém, 60 jovens de Bengui e Jurunas já participam do projeto. Outros 60 jovens de Guamá e Terra Firme serão selecionados até novembro. Informações no Procon/PA: Avenida Almirante Barroso, nº 919. Bairro Marco.
Monitoramento Cidadão
Uma equipe técnica estará presente nas comunidades para fazer um diagnóstico de como os serviços públicos estão sendo oferecidos e das principais demandas da população. Alguns locais tomados pela criminalidade, por exemplo, estão sendo prejudicados em serviços como transporte, telefonia, gás e etc. Será feito um mapeamento das necessidades de cada local para que, posteriormente, sejam regularizados todos os serviços pagos pelo consumidor.
Justiça Comunitária
Os moradores da comunidade serão conscientizados sobre os seus direitos e capacitados em mediação de conflitos. A mediação comunitária evita que uma simples discussão vá parar na Justiça ou resulte em um ato de violência. Para isso, a população poderá buscar o Núcleo de Justiça Comunitária, contando com a orientação de psicólogo, assistente social e advogado, tendo apoio também dos Agentes de Mediação Comunitária para orientá-los a resolver os problemas locais de forma pacífica e justa. Em Belém, um acordo de cooperação será firmado com o Ministério Público do Pará para a execução do projeto.
Praça da Juventude
Será construída nos bairros do Guamá e da Terra Firme praça de 8 mil metros quadrados para proporcionar atividades de esporte e lazer à comunidade. A praça terá quadras de basquete, vôlei, futebol, tênis, skate, entre outras modalidades, e os moradores contarão com monitores especializados.
Esporte e Lazer da Cidade
O projeto “Esporte e Lazer da Cidade” visa à criação de núcleos recreativos com oficinas que incluem dança, teatro, música, capoeira. O objetivo é atuar diretamente em localidades tomadas por criminalidade, afastar os jovens do tráfico e atraí-los para atividades saudáveis. 60 jovens atendidos pelo projeto estarão presentes no evento. Quatro núcleos atendem o Guamá e a Terra Firme.
Fonte: Diário do Pará.
Escola Bosque do Outeiro sob suspeita
Não é novidade que servidores concursados sofram pressão por parte da administração pública municipal, já que muitos dos que trabalham nas escolas municipais de Belém são na verdade “colocados” no cargo por questões políticas, daí vem o interesse da prefeitura em não realizar concursos. Esse embate entre servidores concursados (amparados por lei, pois a constituição determina que o ingresso no seviço público deve se dar por meio de concurso de provas e títulos, salvo algumas excessões) tomou rumos inesperados na Escola Bosque de Outeiro. Publico aqui trechos na íntegra do manifesto dos professores e técnicos da Escola Bosque que estão sofrendo perseguição por parte dos administradores da mesma, o que gerou exonerações arbitrárias e ilegais. Quem assina o manifesto é a própria Associação dos Professores e Técnicos da Fundação Escola Bosque (APTFEB) com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (SINTEPP).
O que se esconde por trás da fachada da Escola Bosque?
“É o que nós professores e técnicos da Escola Bosque temos mostrado aos nossos alunos e seus pais, a população de Outeiro e Cotijuba, e de toda a grande Belém.”
“Nossa Escola Bosque,que é um espaço educacional (deveria ser pelo menos) dedicado especialmente à educação ambiental, com sede na ilha de Outeiro e anexo em Cotijuba, vem sendo também um espaço em que os vícios do desrespeito e da arbitrariedade, vícios que sofre a direção da EB, têm impedido o bom funcionamento de nossa instituição.”
“Os novos professores e técnico (concursados) da EB, desde o ingresso tem passado por todo tipo de pressão.”
“Em nosso primeiro dia, a Coordenadora pedagógica da escola declarou, em nossas “boas vindas”, o quanto duvidava do valor do concurso público em que fomos aprovados, e consequentemente, o quanto duvidava de nosso valor acadêmico e profissional.”
“Durante mais de um ano tentamos dialogar com a Direção da Escola Bosque, visando participar democraticamente da gestão de nossa instituição, planejar e coordenar coletivamente nosso trabalho e promover uma formação continuada eficiente entre e para nós próprios, professores e técnicos.”
“As “respostas” da direção da EB aos questionamentos, sugestões e reinvidicações que fizemos foram, apenas e sempre novas ameaças, mais perseguições, e agora, as exonerações (demissões) de 10 professores e técnicos.”
No início do 2° semestre de 2009, professores e técnicos da escola receberam de uma única vez, todas as três primeiras avaliações trimestrais, e foi descoberto que durante os meses dessa “avaliação”, a direção da EB inventou e incrementou diversas aberrações morais, como a acusação de imoralidade, faltas (inclusive quando alguns servidores estavam em licença médica), indiciplina e “preguiça”. Segundo os professores em nenhum momento os avaliadores (que são em sua maioria contratados em cargos de confiança, possivelmente reprovados no mesmo concurso que aprovou os professores e técnicos.
Professores e técnicos cobram justiça e uma avaliação independente, que não seja encabeçada por contratados da própria escola, mas sim por uma comissão idônea e capacitada para esse fim, que não viole o princípio da impessoalidade.
“A Escola Bosque é uma instituição do povo e não propriedade privada e não de quem dela se adonou, nela se esconde e quer abusar.”
Contato APTFEB: aptfebosque@gmail.com
Tarifa de ônibus urbano de Belém não é a mais baixa do Brasil
Belém não é a capital com a tarifa mais baixa do Brasil, segundo os dados das prefeituras, São Luís (MA) com R$ 1,60 responde pela menor tarifa, enquanto que Florianópolis (SC) possui a tarifa mais cara (R$ 2,80).
A diferença entre tarifas não pode ser comparada, já que cada cidade possui um sistema de transporte diferente, São Luís é uma ilha por exemplo, Belém (sem levar em consideração a Região Metropolitana) não é tão grande quanto São Paulo ou Rio de Janeiro, portanto, comparar preços e justificar reajuste de tarifa da cidade por ser a mais barata do Brasil também não é aceitável (essa sempre foi a principal razão para os reajustes anuais praticados pelo SETRANSBEL (sindicato patronal dos ônibus).
De fato, a frota de ônibus foi renovada em parte, a maioria da renovação se deu nas empresas de Belém, as que circulam em Ananindeua, Marituba, Mosqueiro e Benevides ainda deixam muito a desejar.
Nossos ônibus não têm ar-condicionado e muitos são sujos e circulam lotados, sem falar na falta de educação por parte dos funcionários, principalmente no tratamento com idosos, portadores de necessidades especiais e gestantes. A passagem de ônibus é cara para o trabalhador paraense e a tendência é que só aumente.
PS.: A Prefeitura de Belém novamente nos apresenta um projeto contraditório, que é o de perdoar o ISS (Imposto sobre Serviços) que o SETRANSBEL deve, o que gira em torno de R$ 80 milhões. O projeto é um presente para os empresários, pois não são os juros que serão perdoados, mas sim a dívida propriamente dita. Será que com o perdão dessa dívida, a tarifa vai ser reduzida? A qualidade do serviço será melhorada?
Fiquem atentos.
Privatização da Água em Belém: Vendendo a Água da Amazônia.
Um dos mais recentes golpes da administração municipal diz respeito a concessão dos recursos hídricos de Belém, ou seja, há uma forte vontade política (encabeçada pelo prefeito Duciomar Costa e sua base governista na Câmara Municipal de Belém) para privatizar o serviço de fornecimento de água em Belém. A população ainda não consegue ver as consequências desastrosas que essa ação irá trazer para a população pobre da capital.
A falta de investimento público e o sucateamento do serviço prestado pela Cosanpa (Companhia de Saneamento do Estado do Pará) são fatores que, segundo a prefeitura justificam a venda do serviço. Todos nós sabemos que a água é um bem público fundamental e essencial para todos, portanto, não deve estar nas mãos de empresários que só visam o lucro, veja o caso da Celpa que foi privatizada em 1998 e qual foi o bônus para a população? Nenhum. Nesse caso só tivemos ônus, a conta encareceu demais e muitos deixaram de pagar e acabaram praticando o famoso “gato” (ligação clandestina comum na periferia).
Qual será o bônus caso o serviço de abastecimento seja de fato privatizado? Será que a população deve aceitar essa manobra do prefeito? Que interesses existem por detrás dessa proposta de privatização? Interesses meramente políticos é claro.
Em Belém os que mais precisam da “água da Cosanpa” são os trabalhadores, muitos moradores da periferia da cidade que não podem perfurar um poço artesiano ou desembolsar semanalmente dinheiro para comprar os garrafões de água mineral que vendem por aí. A maioria da população consome água suja (apesar da mesma sair limpa da Estação de tratamento Bolonha) e imprópria para o consumo. Caso uma empresa se aproprie da consessão de água em Belém, sem dúvida a conta de água não vai reduzir, pelo contrário, irá aumentar (veja o exemplo de Manaus, que teve o serviço privatizado e em seguida abandonado pelas empresas).
A população de Belém deve ficar atenta. Privatizar a água em Belém terá um impacto real e simbólico para o contexto amazônico. Vender a água de Belém é vender a água da Amazônia.
[Matéria] As novas redes da Amazônia
Com o dedo no teclado e uma conexão (bem) ruim, os blogueiros do Norte são protagonistas da mais nova saga da integração amazônica.
Eles venceram onde projetos de sucessivos governos fracassaram ao longo da história do Brasil. Sem sair de casa, com um computador e uma conexão de internet tão ruim que é conhecida por “ciponet” ou “interlerda”, homens e mulheres de idades variadas vêm conseguindo integrar a Amazônia às demais regiões do Brasil – e ao mundo. Um número cada vez maior de blogueiros tem usado a rede para contar histórias de uma terra que, pela distância, muitas vezes só virava notícia quando era tarde demais. Denunciam desmatamentos, filosofam sobre o cotidiano, fazem literatura, discutem religião, aproximam geografias. Ao botar uma lupa sobre seu quintal, tornam-se cidadãos do mundo. Sua ação transforma o modo de olhar para a Amazônia – e também a forma como a Amazônia olha para as muitas partes de si mesma.
Numa pesquisa inédita, Cartografia da blogosfera no Brasil, Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra que essa conquista da Amazônia é recente. Sua equipe analisou 300 blogs em quatro capitais: Belém, no Pará, Manaus, no Amazonas, Rio Branco, no Acre, e Macapá, no Amapá. Promoveu ainda encontros em Porto Velho, Rondônia, e Boa Vista, Roraima. Concluiu que quase 90% dos blogueiros da Região Norte fincaram sua bandeira entre 2007 e 2009. Possivelmente devido às dificuldades de acesso: segundo dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, até 2008 apenas 7% da população do Norte tinha acesso à internet em casa, em comparação a 25% no Sudeste.
O blog foi o primeiro gênero de expressão nascido na internet – e não adaptado para ela. Ele tem o espírito libertário da rede, onde qualquer um pode se manifestar. Os blogs ampliaram a diversidade de olhares sobre o mundo e contribuíram para disseminar informações nos regimes mais fechados. Sua força foi provada em países autoritários, como Cuba e Irã, quando blogueiros foram decisivos para furar o bloqueio da comunicação.
É verdade que não dá para confiar em tudo o que os blogs publicam. Há blogueiros que tentam substituir a atividade de jornalistas sem assumir os deveres correspondentes. Tanto no que se refere à apuração e checagem rigorosa das informações, quanto à responsabilidade por publicá-las. Também é fato que a própria rede tem elementos que podem ajudar a resolver esse problema. Construir reputação e credibilidade na blogosfera é uma tarefa árdua. Quando um blog deixa de ser linkado e comentado por não ter compromisso com a verdade, é um tipo de morte. Se esse mecanismo bastará para garantir a ética na internet, é algo ainda incerto. Mas é impossível, hoje, falar em comunicação sem levar em conta os blogueiros – e em nenhum lugar do país isso é tão claro quanto na Amazônia.
Lá, eles assumiram o papel de divulgar informações e pontos de vista que até então não circulavam nem dentro da região, menos ainda fora. Realizaram a façanha de romper a barreira geográfica. Com a consultoria de Malini, ÉPOCA escolheu quatro blogs. Feitos à imagem e semelhança de seus criadores, cada um conta um capítulo da nova saga da integração da Amazônia.
Fonte: Revista Época On-line
Gripe A (H1N1) no Pará.
O Brasil, junto com México, Estados Unidos e Chile responde por mais da metade das infecções no mundo. Esse fato faz com que o alerta seja maior, já que o nosso sistema de saúde é precário e não consegue atender as demandas menos letais, o que é preocupante.
O Governo Federal omite informações, isso é fato, pois o número de infecções é bem maior que o divulgado e na maioria dos casos os infectados nem conseguem atendimento para tratar de infecções respiratórias agudas (que pode ser gripe A), portanto, o Brasil não está preparado para enfrentar um aumento de demanda por atendimento. O número de laboratórios que realizam o exame que detecta o vírus, ainda é pequeno e o tempo é demorado (15 dias!). 15 dias é suficiente para infectar uma boa parcela da população e disseminar o vírus.
O vírus A (H1N1) está circulando por aí, já está presente no nosso cotidiano e muitos de nós iremos ficar doentes infelizmente, as autoridades devem ficar alertas e redobrar a fiscalização de portos, aeroportos e terminais rodoviários.
Situação do Pará
Ontem (17) ocorreu o primeiro óbito na cidade de Belém, o primeiro no Estado do Pará. Essa morte poderia ser evitada se o SESPA (Secretaria de Saúde do Estado do Pará) não demorasse para notificar a suspeita e tomar as devidas providências, o que nos leva a concluir que a SESPA não está preparada para enfrentar o possível avanço das infecções no Estado. A paciente foi atendida em dois hospitais particulares (Hospital Guadalupe e Hospital da Unimed), o que não foi suficiente para detectar o vírus e encaminhar para o tratamento com base no Tamiflu.
Parte dos profissionais de saúde do Pará ainda está desinformada em relação ao vírus A (H1N1), tanto é que em muitos casos os próprios profissionais não estão tomando as medidas necessárias, como usar máscaras, luvas, entre outras coisas.
Fiquem alertas.
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Sintomas da Gripe A (H1N1)
Indivíduo de qualquer idade com doença respiratória aguda caracterizada por febre superior a 38º C, tosse E dispnéia (falta de ar) acompanhada ou não de dor de garganta ou manifestações gastrointestinais.
Alertas
- A utilização de antiviral específico é somente para casos com risco de gravidade, após avaliação médica e da Vigilância epidemiológica. Os demais casos devem utilizar medicação sintomática. É importante ressaltar que o uso indiscriminado da medicação pode induzir a resistência do vírus influenza.
- Alertamos sobre a importância das medidas de prevenção para toda a população, tais como: cobrir a boca e o nariz ao espirrar, usando de preferência lenço descartável, não compartilhar copos, talheres, objetos, alimentos e principalmente lavar as mãos com água e sabão freqüentemente.
- O Exame laboratorial para diagnóstico específico da influenza somente deve ser realizado de acordo com avaliação da vigilância epidemiológico e médico assistente nos casos de Doença respiratória aguda grave.
- São veiculados avisos sonoros e distribuição de panfletos no aeroporto, contendo informações sobre sinais e sintomas.
- Todas as providências estão sendo adotadas para que as tripulações das aeronaves orientem os passageiros, ainda durante o vôo, sobre sinais e sintomas de Doença Respiratória aguda grave (DRAG). Passageiro com os sintomas deverá se identificar à tripulação, e colocar mascara cirúrgica até a avaliação médica da ANVISA no desembarque.
- No Estado do Pará o comitê interinstitucional que acompanha o Plano de preparação para o enfrentamento de uma Pandemia de Influenza no Estado do Pará, formado pelas instituições: SESPA(Coordenação de Vigilância à Saúde), Instituto Evandro Chagas, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Adepará, Defesa Civil, Anvisa e Sesma-Belém, segue Protocolo do MS e acompanha a situação epidemiológica da Doença Respiratória Aguda Grave.
- Os profissionais da rede pública e privada estão sendo orientados para atender, avaliar e notificar imediatamente a ocorrência de casos suspeitos de Doença Respiratória Aguda Grave a Divisão de Vigilância a Saúde/ SESMA e Coordenação de Vigilância a Saúde/ SESPA.
Cuidados
- Os casos confirmados e seus contatos domiciliares devem permanecer em isolamento domiciliar, utilizando máscara por um período de 7 (sete) dias a partir do aparecimento dos primeiros sintomas.
- Observar, caso os contatos domiciliares apresentem sintomas (febre superior a 38º C, tosse E dispnéia ou outro sinal de gravidade) no período de isolamento domiciliar devem procurar assistência médica na rede pública ou privada.
- Os casos confirmados após 07 dias podem retornar ao convívio social normal sem risco de transmissibilidade da doença.
- O novo protocolo de manejo clínico aprovado pelo GEI (Grupo Executivo Interministerial) alterou a definição e conduta frente a casos suspeitos:
Fonte: SESPA
Carta de uma futura jornalista ao seu professor
Castanhal (PA), 11 de agosto de 2009
Caro professor Marcelo,
Me chamo Edinelma, sou sua aluna da turma 2, quero em poucas linhas expressar o quanto eu estou feliz com este projeto.
Sei que é uma chance que eu não vou desperdiçar um minuto sequer, vou dar o máximo de mim para terminar o fundamental, sei que suas explicações e sua grande paciência vão me ajudar a alcançar o meu grande objetivo, que é futuramente me tornar uma grande jornalista e sua matéria é fundamental para que eu venha a me expressar em poucas linhas, mas, com palavras de efeito e bem explicadas, para que o telespectador em geral, venha a entender com clareza o que o jornal está querendo passar.
Agradeço ao Governo Federal e ao grande professor que ele nos enviou, que é você professor Marcelo
Um grande abraço da sua aluna que tem uma grande admiração pelo professor que você é.
Antonia Edinelma de Oliveira
Aluna do Programa Nacional de Inclusão de Jovens
Núcleo III (Castanhal)
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PS.: A presente carta foi autorizada para publicação pela própria aluna. Edinelma não conseguiu concluir os estudos (o ensino Fundamental) por ter que trabalhar muito cedo e também pela falta de recursos. Hoje ela trabalha das 8 da manhã às 17h em uma loja do comércio e após o expediente se dirige a escola (mesmo cansada e muitas vezes com fome). Apesar da rotina cansativa, Edinelma tem que cuidar de sua família e ainda consegue encontrar tempo para rescolver as atividades da escola com êxito, além de ser uma das alunas mais aplicadas da escola.
Se todos os alunos seguissem o exemplo de vida da Edinelma e não abandonassem os estudos, teríamos um país melhor instruído e desenvolvido.
Belém: cidade do caos [Parte 1]
A série “Belém: cidade do caos” mostrará alguns pontos da cidade no qual podemos ver desorganização e a total ausência do poder público. Nessa primeira parte tratarei de três pontos: a) Praça Waldemar Henrique (localizada na Boulevar Castilho França); b) Parada de ônibus em frente a galeria Portuense (localizada na Travessa Padre Eutíquio); c) Parada de ônibus na Avenida Cipriano Santos em frente a praça do operário.
a) Praça Waldemar Henrique:
Idealizada para ser uma praça temática reunindo elementos em homenagem ao nosso maestro Waldemar Henrique, possui um escorregador em forma de violão, uma arquibancada em forma de partitura, além de bancos e brinquedos para as crianças. Construída na prefeitura comandada pelo PT (naquela época ainda de esquerda, revalitalizou várias praças e construiu novas em locais que não possuiam). Na última gestão petebista foi abandonada. Durante quase o ano todo é ocupada por viciados, meninos de rua e delinqüentes que se aproveitam da presença de turistas que vão a Estação das Docas e os roubam. Há uma parada de ônibus, mas quem tem coragem de permanecer lá depois das 17h é candidato a ser roubado ou alvo da ação de pedintes. No mês de junho a praça recebe apresentações de “Quadrilhas Juninas”, o único momento no qual a praça é ”arrumada”. O policiamento durante a noite é ZERO, portanto, evitem andar por aquelas bandas, já que a praça está com a iluminação quase toda quebrada.
b) Ponto de ônibus em frente a Galeria Portuense.
Quem sai do shopping Pátio Belém (antigo Iguatemi) e tem que pegar ônibus para voltar para casa passa sufoco. Além de não haver parada (abrigo), os pedestres ainda tem que disputar espaço com os ambulantes que estão tomando conta da calçada (desde a rua dos 48) e os taxistas que possuem ponto em frente a Galeria Portuense. Quando os mesmos querem entrar ou tirar o carro, ficam buzinando e “jogando” o carro para cima dos pedestres, alguns taxistas ainda “xingam” os mesmos. O risco de atropelamento é alto. Os órgãos competentes devem receber uma propina bem alta para não tirarem aquele ponto de taxi dali, já que ocupa a calçada e atrapalha o embarque e desembarque de passageiros de ônibus. Cabe lembrar que em frente ao shopping há um ponto de taxi regulamentado, portanto, creio que seja desnecessário um outro local para exploração dessa atividade.
c) Ponto de ônibus na Cipriano Santos (em frente ao Terminal Rodoviário).
É público é notório dizer que aquele complexo que circunda o terminal é por demais caótico, já que ali encontramos tráfico de drogas, de mulheres, prostituição infantil, entre outras mazelas sociais, que os governantes ignoram. Mas não falaremos de nenhuma dessas mazelas, mas sim do desrespeito que podemos observar na parada de ônibus. Aquele ponto de ônibus é muito movimentado, por isso o número de “kombis” é alto, muitos gritando o nome dos “itinerários”, a maioria dos veículos é sucata, sem condições de tráfego, mas mesmo assim circulam oferecendo risco a população. Um outro problema é a presença de taxis (de novo eles) que ultrapassam o limite permitido (de 3 vagas), alguns ficam na parada de ônibus mesmo e quem precisa pegar o ônibus deve ir para o meio da pista sofrendo o risco de ser atropelado. Depois das 18h é comum também a presença de moto taxis (outro problema) ocupando a parada de ônibus. Os órgãos competentes também nunca aparecem para acabar com aquela “palhaçada”, creio que devem receber uma “ponta” dos donos de “kombis” e demais exploradores daquela área.
Podemos concluir que a Prefeitura pouco ou nada faz para resolver esses “gargalos” urbanos. Sobra para nós pedestres arriscarmos nossas vidas, já que os órgãos competentes não cumprem seu papel. Faço aqui a minha reclamação e espero que esses problemas sejam resolvidos o mais breve possível.
ALERTA: O Avanço da Gripe A (H1N1) no Brasil
O vírus da gripe A (H1N1) tomou conta dos noticiários dos meios de comunicação e nas rodas sociais. Se antes pouco sabíamos sobre essa gripe letal, agora já temos informações, principalmente os locais de incidência e as caracteristicas da doença.
O surto da doença surgiu no México e nos Estados Unidos e em poucos meses a pandemia já estava instalada, com o número de infecções e mortes crescendo exponencialmente, de modo que hoje (junho de 2009) não há mais possibilidade de controlar a doença (com isolamento de pacientes ou vacinação).
A gripe A no Brasil
Ao contrário do que acha o presidente Lula, a gripe A no Brasil não é uma “marolinha”, pelo contrário, é preocupante em especial no 2° semestre (período frio do ano no Sul-Sudeste), o que aumenta a propensão para as doenças respiratórias, dentre elas a gripe comum, que tem os mesmos sintomas a gripe A. O foco principal da doença no Brasil está no Estado de São Paulo. Hoje temos 399 caos confirmados e nenhuma morte resultante da gripe A no Brasil. Precisamos estar atentos e os país estar preparado para uma possível epidemia.
A gripe A no Pará
Uma jovem paraense de 18 recêm chegada dos Estados Unidos teve o diagnóstico de gripe A confirmado. Os passageiros do voo no qual a jovem viajou ainda não estão sendo monitorados, o que aumenta a chance de outras pessoas terem sido possivelmente infectadas. Essa situação é preocupante, pois sabemos que o Pará não tem estrutura para combater um possível surto de gripe A. Em termos de saúde pública o Pará deixa muito a desejar, veja o caso da CPI da saúde, que vem se arrastando a vários meses e nada foi feito de fato.
Saiba mais sobre a Gripe A aqui.
A cobertura completa aqui.
Tecnobrega: lixo em forma de música
Já houve criação humana mais horrorosa em matéria de música do que o tecnobrega? Eu não conheço. A rigor, esse gênero nem pode ser enquadrado na condição de música. Não tem harmonia nem melodia. O ritmo é tão pobre quanto o de um bate-estaca. Uma voz esganiçada geme como se tivesse dado uma topada. Uma voz eletrônica interrompe o – digamos assim – cantante para anunciar qualquer coisa. Ao fundo, um ruído eletrônico remete o ouvinte à cacofonia do inferno. Quem submete seu ouvido a essa monocórdia repetição de um cantochão primal jamais virá a saber o que é música.
Servir de cenário para o surgimento dessa monstruosidade antimusical não consagra de vez o Pará como a terra do barulho e Belém como a sua lídima capital? De fato, o paraense tem uma propensão natural para ouvir música, cantar e dançar. A vertente verdadeiramente musical dessa tradição fecundou compositores, músicos e cantores em atividade como Nilson Chaves, Vital Lima, Alcyr Guimarães, Sebastião Tapajós, Nego Nelson, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Andréa Pinheiro e muitos outros.
Mas outra vertente foi progressivamente empobrecendo uma matriz que já era limitada. A música paraense de raiz é monótona, repetitiva, dominada pela marcação do ritmo, que cada vez mais sufoca as outras partes (mais relevantes) da composição. Ouve-se com deleite três números de carimbó. A partir daí, a exaustão vem rápido. Um disco inteiro de carimbó demarca na audição a exigência de quem ouve. Uma festa só de brega é passaporte para o rebaixamento do gosto. Uma única música de tecnnobrega é tortura auditiva. Com o som estourando o registro dos decibéis, é poluição humana certa.
A cidade é tomada todos os dias e inundada nos fins de semana por essa agressão de barulho, que também dá sua contribuição à violência geral. Contando, para a consumação do crime, com o disfarce da cultura popular. A tolerância geral para esse tipo de maneirismo não minimiza a gravidade da agressão. Só a torna menos perceptível. E, justamente por isso, mais letal. Corrói aos poucos, aniquila a sensibilidade, deforma o gosto.
Lúcio Flávio Pinto [Jornal Pessoal - janeiro de 2009]
Não só concordo com o Lúcio, como também acrescento outros argumentos que sustentam a tese de que tecnobrega é um lixo. Ultimamente a criatividade dos “compositores” ouo “plagiadores” está em declínio. Se antes tínhamos as letras sem sentido, agora temos letras de músicas de outros estilos, como forró, sertanejo, rock e até música gospel. Fazer versões de música gospel é um verdadeiro sacrilégio, imagine uma música que fala de Jesus tocando em um ambiente onde as pessoas consomem bebidas alcóolicas e até drogas ilícitas. É uma confusão de valores. Além de copiarem a música na íntegra, ainda desvirtuam a mensagem.
A maioria das festas de tecnobrega ocorrem na periferia da cidade e abusam do volume, além de atrair mais violência, já que é comum alguns “frequentadores” delinquentes roubarem para consumir os “baldes” de cerveja, não é a toa que os crimes aumentam justamente nos finais de semana. Assim como ocorre nas favelas cariocas, os traficantes também atuam na contratação dessas festas, uma forma de lavar dinheiro “sujo” e também como co-patrocinadores para impulsionar a venda de entorpecentes aos viciados que vão a esse tipo de festa.
Em Belém houve uma tentativa de atrair um público diferenciado para as aparelhagens, o público da classe média, que consome muito e gera bastante lucro para os empresários da noite, mas a moda não pegou, já que o tecnobrega é estigmatizado. Basta sair a noite e ver quantos lugares frequentados pelos “baladeiros” tocam brega: nenhum!
Na música brasileira e mundia há muita porcaria, cabe a nós colocarmos um filtro em nossos ouvidos e selecionar o que é e o que não é música de verdade.

